Nosso ganho espiritual também está na reflexão sobre um ser divino que é eterno, sem início ou fim. Somente um Deus assim pode ser tudo para nós. Somente um Deus assim tem soberania sobre nós. Somente um Deus assim é o nosso Guia.
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro ...
Isaías 9,6
Uma das atribuições de Cristo, dentre tantas, é oferecer ajuda quando estamos atarantados, desorientados, agoniados, em conflito. Por isso, como Pai carinhoso, desejando a lucidez e quietude dos filhos, convida-nos para ir a Ele: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma." (Mt 11, 28-29)
Jesus nasceu para isso (também), ajudá-lo nas horas de necessidade. A pergunta sempre é a mesma: Você recorre ao Maravilhoso Conselheiro ?
Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome.
A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.
Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.
Derrubou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais.
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço. (Mt 11, 4-6)
A dúvida era do seu parente, João, quando no cárcere, ao ouvir os testemunhos do que Jesus fizera até então. Ao enviar portadores a Jesus, ele desejava encaixar as predições, selar sua parte na história, não falhar no discernimento. Nada mais natural.
A resposta de Jesus não foi doutrinal, mas a mais nua e crua evidência da sua natureza e identidade: Eu sou o que sou. Eu sou o que faço. Eu faço o que o Pai faz. O que faço é amar e transformar gentes.
O natal de Jesus foi o início de uma jornada única na história, materializando o incomensurável amor do Pai pela criação. Desde que o homem foi deixado ao léu por causa da rebeldia original, nada no universo poderia ser feito para aplacar a decepção e ira do Criador. Os sacrifícios rituais pontuais e sucessivos forjavam um paliativo e ao mesmo tempo prenunciavam a necessidade de algo mais que perfeito, suficiente e eterno. O sacrifício único de Jesus na cruz respondeu à necessidade latente. Desde o início, o natal de Jesus apontava para a sua cruz, evitando, posteriormente, as nossas cruzes.
O que fez Jesus entre o natal e a cruz ? Cuidou de gente, tentando apontar para algo infinitamente mais significativo - A Redenção plena. “Quem beber desta água jamais terá sede”; “Quem comer deste pão jamais terá fome”; quem não vê o bordado de Deus na criação, passa a contemplar; quem cambaleia por caminhos inseguros, apruma-se; quem adoece nas sujeiras e doenças deste mundo, é sarado; quem não ouve as palavras mais doces e puras, é beneficiado com nova audição; quem não vê razão para viver, deslumbra-se com a nova perspectiva; quem foi forjado na gramática da torpeza, reeduca-se com a semântica cristocêntrica.
Por isso, desde então, ano após ano, dia após dia, você é agraciado pelo natal de Jesus, quando o aceita, encarna, vive e o celebra. Um verdadeiro bem-aventurado, cujo caminho é limpo, ainda que faxinado diariamente, mas jamais como motivo de tropeço.
Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum ? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. E Isabel, tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo este já o sexto mês para aquela que diziam ser estéril. Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas. Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela.
Lc 1, 34-38
No espírito da visita angelical, nossa apreensão do natal é crer que para Deus não há impossível. Ele é soberano e zeloso em suas promessas: ontem, hoje e eternamente. A atitude de submissão de Maria deve ser a nossa, prontificando-nos como servos, esperando com alegria o cumprimento da vontade de Deus em nós, em nossos dias.
Este é o seu natal.
Presente: Christmas Day, Coral Presbiteriano de Indianápolis, USA.
Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
Lc 1, 31-33
Todos os dias, neste período de Advento/Natal, ore a Deus agradecendo pela realidade de Cristo em sua vida. Sensibilize-se diante de tanta gente sem esta bênção. Dissemine o verdadeiro natal - Nascimento do Salvador.
Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus.
(Lc 1, 29-30)
Nesta passagem, você pode imaginar quem foi Maria. Esta moça, em seu interior espiritual, devia buscar intimidade com Deus, ser sedenta e faminta pelo Pai Celestial. Provavelmente, sua vida de entrega e submissão foi reconhecida pelo Senhor. Foi escolhida e correspondeu.
Não seria estupendo se, de alguma forma, acontecesse conosco ? "Entregue o teu caminho ao Senhor, confia nele ..." (Sl 37,5)
Presente: IBand da North Point Church - Feliz Navidad
No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. E, entrando o anjo, aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.
Lucas 1, 26-28
Para pensar: Será que você, ao ler "Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo", poderia, hoje, pela graça do Senhor, enquadrar-se nesta cena ? Ao refletir sobre a graça e a misericórdia do Senhor em sua vida ...
... eis que apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
(Mateus 1, 20-21)
De certa foma, apenas para colocar ordem, que tal tirar Jesus das fotos, das pinturas, dos credos, dos ritos, dos ícones, das imagens, das fantasias e obsessões ?
Sim, aceitar o convite dele, e, ao lado, ou mesmo um pouco atrás, caminhar com ele pelas estradas, becos, encruzilhadas, praças, lares, igrejas, gabinetes e salas da vida, vendo o que ele quer fazer , mudar, transformar, converter. Então, imitá-lo!
A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos... (Mt 9, 37)
Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu salvador.
Lucas 1, 46
Imagine quantas consequências benéficas derivariam desta simples e poderosa declaração, quando, de manhã, este fosse o tributo ao nosso Deus ?
Maria, a mãe do Salvador, a privilegiada e bem-aventurada, ensina-nos, mulheres e homens, a viver alegres, reverentes, crentes e gratos diante do nosso criador.
Culturalmente, o natal, hoje, está na mente das gentes como retrato de Papai Noel, presentes e festas comuns, com muita comida e bebida. Natal animado, em determinadas áreas das cidades, é natal com samba (nada contra o bom samba de raiz, com as letras adequadas).
No primeiro mundo, e espalhando com rapidez devido à globalização, é politicamente incorreto apreciar a estética do natal. Símbolos cristãos natalinos são rechaçados, permitindo-se, apenas, menção às Boas Festas.
Por isso, e nutrindo nosso compromisso eucarístico de fazerEm Memória de Cristo, devemos envidar todos os esforços para disseminar a genuína cultura do natal - o nascimento de Jesus Cristo, o Salvador do mundo.
Suas ferramentas são: testemunho de vida, ministrações verbais, símbolos em sua casa, carro etc, e, melhor ainda, (re)transmitir pela web o maior número possível de mensagens natalinas com conteúdo Bíblico.
Para isso, o fundamento Bíblico é imprescindível. Leia os textos que anunciaram a vinda do Messias, as narrativas do nascimento, e, nesta época de Advento, os maravilhosos textos sobre a Segunda Vinda de Cristo.
Aí está a preciosa tarefa para este natal - Ocupe o Natal !
Presente:
The Nativity - Bach Sinfonia from Christmas Oratorio Bach - Academy St. Martim in the Fields
Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de Conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor.
(Isaías 11, 1-2)
Presente:
For Unto Us a Child is Born, do Messias, de Haendel, London Symphony Orchestra, maestro Sir Colin Davis
Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou ...
(Apocalipse 19, 6-7)
A Igreja de Cristo vive na diuturna expectativa de desposar seu noivo, Jesus Cristo, isto é, ser recebida por ele em sua segunda Vinda, quando estaremos com ele pelos tempos sem fim.
Hoje é tempo de aumentar a família da fé, anunciando a mensagem completa do Salvador.
Inspire-se neste natal, junte-se ao Salvador, faça como o Salvador.
E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.
(Miquéias 5,2)
Vindo
Por que demora ? Por que demora ?
Já está escrito. Já anunciado. Prometido.
Por que demora ? Por que demora ?
Sonhado. Apontado. Esperado.
Em algum lugar na terra reservada.
Nada pode deter o choro e sorriso da esperança.
Onde ? Olhamos os campos, abrimos as portas.
Os anjos anunciam, nós entoamos: Tu vens, Tu vens ...
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu ...
Isaías 9, 6
Soneto de Natal
Machado de Assis
Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso: "Mudaria o Natal ou mudei eu?"
Talvez seja este o grande empreendimento para resgatar o maravilhoso natal de Jesus: nossa mudança. Investindo contra a desordem do mundo, nossa reflexão e imaginação devem acolher a dádiva: Deus iniciou o presente eterno com o nascimento do menino.
Como resposta à dúvida de Machado, afirmemos: O natal do Salvador continua. Mudemos nós, sempre para melhor, sempre para anunciar ao mundo o caminho do menino. Sempre para trazer em nós a marca do menino.
Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel. Isaías 7,14
(Emanuel significa Deus conosco)
Terça-feira passada, zapeando os canais da tv, aguardando a vez do sr. Sono chegar, ative-me alguns minutos diante do filme em que um senador americano, interpretado por Tom Hanks, ouvia as reclamações de um financiador de sua campanha, talvez do interior do Texas, rogando gestão em favor do presépio de natal, que fora proibido pelas autoridades municipais de ser instalado na praça principal da cidadezinha. Sinal adoentado dos tempos. O senador não ajudou, claro.
Quarta-feira, ontem, passando pela av. Paulista, senti-me aliviado, feliz, porque está lá estampada, em letras grandes, com fundo vermelho, a frase tradicional Feliz Natal. Um feliz natal para a cidade de São Paulo.
Vamos anunciar, neste ano, o maravilhoso sentido do natal. Empenhe-se por ser um ator vibrante, apaixonado, determinado a nutrir o correto e saudável significado do natal. Vamos ocupar São Paulo com a verdadeira mensagem do natal. Ajude a anunciar, celebrar e atualizar a maravilha do nascimento de Jesus Cristo, o Salvador.
Que os presentes, a boa comida, a confraternização venham, mas antecedidos da expectativa do nascimento daquele que vai passar a eternidade conosco.
Poucos hinos contemporâneos superam os tradicionais. Deixo para vocês ouvirem no fim de noite. Trata-se de hino que expressa a alma, a necessidade da alma. ( Ana Eugênia de Azevedo Gléria, obrigado pelo vídeo)
Mais perto quer estar
Mais perto Quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor / Que me una a ti,
Sempre hei de suplicar / Mais perto quero estar,
Mais perto quero estar, meu Deus de ti!
Andando triste / Aqui na solidão
Paz e descanso / A mim teus braços dão
Nas trevas vou sonhar / Mais perto quero estar,
Mais perto quero estar, meu Deus de ti!
Minh'alma cantará a ti Senhor! / E em Betel alçará padrão de
Amor, / Eu sempre hei de rogar
Mais perto quero estar, / Mais perto quero estar, meu Deus de ti!
E quando Cristo, / Enfim, me vier chamar,
Nos céus, com serafins irei Morar
Então me alegrarei / Perto de ti, meu Rei, meu Rei,
Meu Deus de ti!
Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre.
Nós, os urbanos, somos impelidos à velocidade. Tudo ao nosso redor conduze-nos à correria. Experimente notar como você come qualquer alimento, almoço, por exemplo, numa rapidez desnecessária. Em doses homeopáticas ou cavalares, sem você perceber, é tomado pelo ritmo alucinante. Faz bem ? Apenas para poucas situações.
Qual o recurso ? Qual o antídoto para tão nefasta patologia dos aglomerados ? Proponho os seguintes recursos, entre outros:
Leitura vagarosa dos salmos e provérbios. Eu disse v a g a r o s a. Deixe a mensagem e o ritmo dos salmos penetrarem em sua alma. Leia-os quando puder aquietar sua mente, com os batimentos cardíacos normais, sem poluições sonoras, visuais, sem tarefas a cumprir.
Oração aquietante. Sem petição, somente com louvor, adoração e gratidão. Suave, repetitiva, adocicada.
E lembrando, sempre, que menos pode ser mais.
Finalizo estas dicas despretenciosas, mas úteis, pode acreditar, oferecendo um vídeo de uma pequena comunidade cristã, de uma grande e relevante denominação: Vineyard Christian Felloship. Observe que eles são poucos, mas, para o Reino de Deus, agigantam-se.
Sei que é chato ler um texto longo em qualquer blog. Mas, honestamente, no caso, trata-se de aula de conjuntura política, verdadeiro retrato do absurdo. Nada que não estejamos colhendo ao longo dos últimos anos.
Leia com atenção.
Nobreza civilizada, só um disfarce para vil barbárie
11 de maio de 2011 | 0h 00
José Nêumanne - O Estado de S.Paulo
O Brasil não é um país só, mas muitos. E opostos! Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) fez as vezes do Congresso Nacional e legitimou a união afetiva entre pessoas do mesmo sexo. Muito além do respeito à opção sexual, o acórdão foi ao âmago do pleno exercício da democracia, ao estabelecer o primado do livre-arbítrio no sexo e na família. Com isso consagrou numa questão profana um conceito sagrado: a igualdade de todos perante a lei. Durante pelo menos um fim de semana a Nação foi autorizada a se considerar civilizada, com irrestrito respeito à liberdade individual.
Mas já na semana posterior à jurisprudência histórica os leitores deste jornal caíram na real desses contrastes ao terem notícia de decisão diametralmente oposta. O Partido dos Trabalhadores (PT), que venceu a eleição presidencial pela terceira vez consecutiva, e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), a principal agremiação de uma oposição meio de fancaria, uniram-se para enfiar a mão no bolso do contribuinte e zerar suas dívidas de campanha arrombando o mealheiro da viúva. Numa manobra de matar de inveja e vergonha os coronéis de antanho, os autodenominados representantes da classe operária e os proprietários locais da sigla que instalou o Estado do bem-estar social na Europa aumentaram em R$ 100 milhões os repasses da União para o Fundo Partidário com o objetivo de calafetar rombos de R$ 16 milhões nos cofres da legenda governista vencedora e R$ 11,4 milhões dos tucanos derrotados. Ao não vetar a gatunagem solidária, aprovada por unanimidade na Comissão Mista de Orçamento da Câmara e que nem chegou a ser debatida em plenário, a presidente Dilma Rousseff acumpliciou-se aos parlamentares, associando-se à arbitrária causa própria de companheiros e adversários, que instituíram o "financiamento público"das campanhas de forma sorrateira, clandestina e abusada, como bem definiu o diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Aldo Fornazieri.
E na mesma página em que noticiou essa maroteira sórdida (a A4 de segunda. 9/5), o Estado registrou um símbolo do convívio entre a nobreza de princípios e a vileza de atividades, ao noticiar a solenidade em que o Ministério da Defesa condecorou o petista José Genoino no Dia da Vitória.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, civil na chefia de uma pasta que reúne sob suas ordens os comandantes das três Forças Armadas, deu uma demonstração pública do respeito de seus subordinados fardados à hierarquia do Estado Democrático de Direito, na homenagem a um ex-combatente. José Genoino nada tem que ver com a campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália: nasceu em Quixeramobim (CE) em 1946, um ano depois de a 2.ª Guerra Mundial haver terminado. E "vitória" não é termo que possa ser usado para definir seu destino de militante: os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que quiseram instituir a "ditadura do proletariado" sublevando camponeses do Araguaia, ele entre eles, foram dizimados pelo Exército.
De qualquer maneira, digamos que sua presença entre os condecorados pudesse representar o triunfo da tolerância sobre o temor, até por ter ocorrido neste ano em que as comemorações de aniversário do golpe militar de 1964 saíram dos quartéis e se abrigaram nos clubes militares. Há, contudo, lama na medalha que o chefe lhe pendurou no peito. Não consta do noticiário a respeito da solenidade nada que justifique funcionalmente a honraria. Nada que Genoino pudesse ter feito a favor da defesa nacional nestes dias em que está pendurado num cabide de emprego justifica a decisão de Nelson Jobim de escolhê-lo como signo de paz e democracia e prova de que o Brasil não quer retaliar o passado. Sua inclusão entre os 284 homenageados é um coice de mula na Justiça, que o pôs na condição de réu num clamoroso escândalo de corrupção chamado de "mensalão".
Nada, a não ser servilismo, naturalmente. Estranho no ninho do governo petista, o bacharel que adora envergar uniformes militares de camuflagem está sempre disponível para se alistar no "cordão dos puxa-sacos", que, segundo o refrão da canção usada por Sílvio Santos em seus programas de auditório, "cada vez aumenta mais". E não falta a Sua Excelência experiência no ramo. Para servir ao chefe Ulysses Guimarães, emendou o texto da Constituição sem consultar os pares - conforme ele próprio viria a confessar depois. Agora foi a vez de inverter a hierarquia, e o chefe bajulou o subordinado sem sequer ter esperado que este fosse absolvido pela última instância do Judiciário.
Ao condecorar um réu, Sua Excelência mostrou que se foi o tempo dos dois Brasis - o real e o oficial - de Machado de Assis. Há agora muitos Brasis e neles o vilão do Judiciário, rejeitado pelo eleitorado para voltar ao Legislativo, é tratado como herói de guerra pelo Executivo que o emprega. O PT, em que Genoino milita e que Jobim bajula, tem também seu universo à parte. Recentemente "reabilitou" - como fazia Josef Stalin com os camaradas que ousavam dissentir, mas depois se arrependiam contritos, ajoelhados aos pés do chefão - o ex-tesoureiro Delúbio Soares, burocrata insignificante, mas réu importante no mesmo famigerado processo. A respeito da volta do tesoureiro, acusado que nunca foi julgado nem condenado, o secretário-geral da Presidência e porta-voz oficioso do ex-chefe Lula, Gilberto Carvalho, produziu mais uma pérola do cinismo que os petistas aprimoraram neste seu período de donos do poder republicano. "Se ele voltar a errar, o partido, da mesma forma que o recebeu de volta, vai ter que puni-lo de novo", previu o burocrata, com aquele jeitão pio de ser.
Os Brasis truculentos, que tratam ética e lógica como trastes inúteis, esmagam o outro, que insiste em ficar ereto e garantir a igualdade de todos perante a lei, tornando-o assim o que querem que seja: um nobre disfarce.
JORNALISTA E ESCRITOR, É EDITORIALISTA DO "JORNAL DA TARDE"
Confesso, adicionado de plena alegria, a minha gratidão a Deus. Nesta noite, entre tantas, por duas razões: a primeira, por esta estranha e incontida felicidade que é ajudar as pessoas, sobretudo ser a esperança de quem mais precisa. Creio, biblicamente, que Deus nos colocou neste mundo para tecer esperanças. Sempre haverá alguém esperando ser aquecido, encorajado e levantado por minha, sua mão. No Reino de Deus, neste mundo, compartilhar, visando a dignidade do outro, é a melhor "vingança" contra as hostes insensíveis, precárias, obtusas em figura de gente.
O nome dele é Álvaro. Chegou aqui trazido por anjos, só pode ser. Veio em busca de um fiozinho de esperança. Não pediu dinheiro, balbuciou apenas uma semente de futuro. Albergado, sem pai, mãe, lenço, mas com documento, vi em seus olhos e seus verbos a vontade ferrenha de não morrer na contramão atrapalhando o tráfego, como já cantou o Chico. Ao ouvi-lo, após desenhar a trilha de um possível futuro, tomei-me, antecipadamente, por imaginação, do estado de gratidão quando Paulo, o apóstolo, disse: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé ..." (2Tm 4,7) Que o Senhor Deus abençoe este rapaz a agarrar sua cidadania, já que encontrou uma ponte.
A segunda gratidão, uma voz: amiga, saudosa, querida, amada, animada, obstinada. Tenho de agradecer a Deus por esta mistura de mente e lembrança. Basta uma voz para ativar sonhos bem sonhados de uma história desmanchada, esvaída, mas na memória reciclada, vívida e colorida.
Minha frase desta noite é uma paráfrase Bíblica: Estranho é o coração, desesperadamente estranho, quem o entenderá, quem o domará ?
Vou ouvir novamente My Funny Valentine, versão de Miles Davis, que, como gosto muito, ofereço a você
Se você for igual a mim, gosta de ouvir boa música à noite, quando já estamos cansados. Segue uma das preferidas.
Mas se não for igual a mim, não importa, tenho certeza de que esta música cairá suave e confortante em seu ouvido.