30/06/2009

Somente Oração da Noite para sedar a indignação

Infelizmente não há um tribuno sequer que peite os desatinos que proliferam dentro dos três poderes. Onde está o deputado ou senador que consiga entender o que acontece dentro de sua própria casa ou radiografe o estado mental do executivo ? Onde está a coragem de um Carlos Lacerda, o demolidor ? (refiro-me apenas à coragem e a espantosa veia retórica)

Como podemos engolir um cínico senador (Sarney) que considera o senado como negócio de família, trazendo sob suas asas seus asseclas, que se beneficiam de iguais ou menores benesses ?

Como podemos engolir um presidente cujo repertório de besteiras só pode ser enquadrado no território do surreal. Endossa o ditador iraniano e suas fraudes e condena a constituição de Honduras que derruba, legitimamente, um presidente, este sim, transgressor ? (sem entrar em mérito algum, por favor)

Vou dormir cedo hoje. Já enchi minha paciência. Acabo de ler um e-mail de colega presbiteriano, petista e ... ah, dane-se, doente espiritual e mental. É verdade, gente que não quer enxergar, não quer se instruir, não quer ver a realidade ... isso é caso de psiquiatria, tem de tomar remédio. E eu disse isso para ele.

Vou dormir. "Pilhado" de indignação. O bom é que me lembrei do nosso hino da noite, coisa que ouvia muito quando criança, pelo rádio, em programa de meu querido pediatra evangélico. Ainda vou colocar algo parecido no sita da IPJO, algo como conforto para o fim da noite. Nós merecemos. Fique com o maravilhoso hino.


23/06/2009

Quem não gosta de Emma Thompson ?



Podemos dizer que certas coisas acontecem “por acaso”, e, por acaso, trazem grandes e agradáveis surpresas. Podemos dizer que esses “por acasos” proporcionam suspiros, deleites, alegrias e, por que não, renovação, momentânea ou perene.

Lá estava eu finalizando uma compra da obra-prima de Agostinho, Confissões, na verdade, mais uma edição, e outro livro sobre a Bíblia como literatura, quando decidi ao HSBC Cinema, para checar os filmes. Trata-se de 6 salas de cinema no mesmo prédio. Ao ver o cartaz de Tinha de Ser Você, com Dustin Hoffman e Emma Thompson, não titubeei, comprei o ingresso.

Quem não gosta de Emma Thompson, a inglesa que sabe tudo sobre a arte de interpretar ? Que me desculpe o Hoffaman, mas Emma está bonitona e, como sempre, impecável em seu papel.

Pontos tocantes do filme são quando a filha dispensa o pai do rito de levá-la ao altar, trocando-o pelo padrasto, e quando Kate (Emma) arrepende-se de um aborto.

Sem maior dramaticidade ou enredo que nos fomente admiração, o leve filme vale por Emma, mesmo interpretando uma medíocre mulher londrina. Ela sempre vale o ingresso.

Se puder, assista!

17/06/2009

Aquecimento Global

Há muito eu aguardo a tradução deste maravilhoso documentário. Analisando o grande movimento "religioso/ideológico" do aquecimento global, juntei-me aos que são chamados de céticos. O que me despertou foi o movimento organizado em escala mundial de figuras carimbadas da esquerda. Tinha algo de errado ali.
Como verão, a comunidade científica não é unânime, como dizem os senhores da mídia.
Se alguém objetar dizendo que milhões estão preocupados e convencidos sobre a causa do aquecimento estar no fator CO2, digo de pronto: o mundo é uma grande macacada!

Sugiro-lhes que resevem um tempo para assistir cada um dos vídeos. Caso queiram saber mais, três livros do mesmo autor, Bjorn Lomborg:
O Ambientalista Cético
Cool it - Muita calma nessa hora
Para fazer do mundo um lugar melhor

A Grande Farsa do Aquecimento Global 1

A Grande Farsa do Aquecimento Global 2

A Grande Farsa do Aquecimento Global 3

A Grande Farsa do Aquecimento Global 4

A Grande Farsa do Aquecimento Global 5

A Grande Farsa do Aquecimento Global 6

A Grande Farsa do Aquecimento Global 7

A Grande Farsa do Aquecimento Global 8

A Grande Farsa do Aquecimento Global 9

15/06/2009

Zona de Conforto

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12, 2)

Um dos maiores perigos para você tem o nome de zona de conforto. Trata-se de qualquer área da vida onde você considera que nada mais vai acontecer lá. Quando o mesmo é a regra e a expectativa.

Na verdade, você precisa de estabilidade: nos relacionamentos afetivos, no emprego, na saúde etc. Mas estabilidade não pressupõe zona paralizante de conforto. A estabilidade deve ser progressiva nos seus termos. Onde você curte a estabilidade também experimenta a progressiva evolução da melhora, do aperfeiçoamento. De fato, para se obter estabilidade é necessário o oposto à zona de conforto.

Ser absorvido e enredado pela zona de conforto significa paralisia total, situação tal que desemboca na involução. Quem não se exercita, perde saúde; quem não estuda, é atropelado pelos mais novos no trabalho; quem não lê, não interpreta a realidade; quem não consome boa cultura, não acredita na beleza; quem não exercita a espiritualidade, jamais crerá no poder de Deus e por aí vai. Trocando em miúdos, zona de conforto é falta de ação.

Duas palavrinhas são essenciais para você transpor a zona de conforto, ainda que sustentando a estabilidade: melhor e diferente.

O caminho:

O que você pode melhorar ? Digo-lhe de supetão: TUDO! Não há área ou setor da sua vida que não possa ser melhorado. Os japoneses chamam isso de Kaizen, melhoria contínua, e foi assim que conquistaram o selo de qualidade para quase tudo.
A melhoria é um ato da vontade. Pegue qualquer coisa, qualquer setor e aplique um processo de melhoria. Tente fazer da melhor forma, quase que perfeito (Mateus 5, 48: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.”)

Segundo, se quer um resultado melhor, faça diferente. Fazer diferente implica em criatividade. Exemplo: seja qual for o seu trabalho, sempre haverá uma forma de fazê-lo melhor e com criatividade. A criatividade pode levá-lo a fazê-lo melhor. Fazê-lo melhor pode suscitar em você a curiosidade e a paixão para realizá-lo melhor. (“mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis...”)

Para terminar por hoje: zona de conforto pode ser uma falsa segurança no presente e um grande problema no futuro. Então, o que você fará de melhor e diferente nos próximos dias, sempre ?

Rogo a Deus para que você tenha uma semana repleta de bênçãos.

01/06/2009

Rubem e João

- Minha vida é um tédio, dissera a jovem, lá pela casa dos 30.
- Tédio ? Por quê ? O que quer dizer com isso ?
- Ah, me formei, parei de estudar, tenho um emprego chato, ganho pouco, fico muito em casa, vou à igreja sem entusiasmo e ... O rosário de insatisfações não tinha fim.
- O que você lê, o que vê, o que ouve, por onde anda e passeia ?, perguntei, curioso.
- Ah, gosto de ficar em casa, ouço alguns sertanejos, vejo a das oito e a Oprah, leio, leio ... quase nada.
- Caramba! Casou ?
- Nunca casei, poucos namoros.
- Talvez um tédio a menos.
- Que horror! Ela começara a animar, com um leve sorrizinho no canto dos lábios.
- Brincadeirinha verdadeira (quase sempre, pensei).
- O que faço ? Tenho saída ? Vou me deprimir em breve ?
- Por que diz isso ?
- Minha tia, igualzinha, só que mais velha e muito triste, sem graça alguma. E minha mãe ... É genético ? É sina ?
- Tem uns cem reais sobrando aí ?
- Tenho cartão de crédito. Por quê ? Vai me cobrar ?
- Que é isso, menina! Você tem doença nos olhos.
- Que é isso, pastor, quando quero enxergo até o que não devo. Não uso óculos pra nada.
- Doente dos olhos, declaro em nome de Jesus. Onde estudou ?
- No Dante.
- Não é possível!
- Por quê ?
- Deixa pra lá. Então, topa umas dicas ? Promete aplicá-las ?
- Claro, tudo para me livrar do tédio. Mas que história é essa de doença nos olhos ? O senhor também é médico ?
- De certo modo! Você vê pouco, enxerga pouco, seus olhos não são porta de entrada para a imaginação, você ainda não ganhou o mundo, menina. Seus olhos serão a sua salvação.
- Quê ? (Onde fui me meter. Pastor maluco!)
- Então, com os cem reais, passa lá na livraria e compre dois livros: 200 crônicas escolhidas, de Rubem Braga e Av. Paulista, de João Pereira Coutinho. O primeiro, um brasileiro que enxergou muito da vida; o segundo, um português da melhor cepa literária.
- C o quê ?
- Tá vendo, tai um tiquinho da sua doença.
- Não estou entendendo. Dois livros ? São grossos ?
- Calma, menina. Xô, tédio, tá amarrado, em nome de Jesus.
- Que é isso ?
- Nada, brincadeirinha. Quem vai começar a libertar você para a vida são esses dois livros.
- E a Bíblia ?
- No seu caso, vem depois, ok ?
- Faça o teste. Lá na livraria, leia, de cada livro, apenas a primeira crônica. Se você não gostar, não se encantar, deixa pra lá, talvez seu caso seja remédio, tarja preta.
- Que horror!
- Nem tanto. Acostuma e melhora. A ciência é uma bênção.
- Pastor de antigamente fazia oração, mostrava versículo, tinha misericórdia. Desculpe-me, estou sendo sincera.
- Sim, fazemos oração, lemos versículos, mas eu quero libertá-la, você entenderá depois.
- Que Deus me ajude!
- Já ajudou, está aqui. Moça volte depois de conhecer o Rubem e o João. Ok ? Vou fazer uma oração.

29/05/2009

Rubem e João - os salvadores

- Minha vida é um tédio, dissera a jovem, lá pela casa dos 30.
- Tédio ? Por quê ? O que quer dizer com isso ?
- Ah, me formei, parei de estudar, tenho um emprego chato, ganho pouco, fico muito em casa, vou à igreja sem entusiasmo e ... O rosário de insatisfações não tinha fim.
- O que você lê, o que vê, o que ouve, por onde anda e passeia ?, perguntei, curioso.
- Ah, gosto de ficar em casa, ouço alguns sertanejos, vejo a das oito e a Oprah, leio, leio ... quase nada.
- Caramba! Casou ?
- Nunca casei, poucos namoros.
- Talvez um tédio a menos.
- Que horror! Ela começara a animar, com um leve sorrizinho no canto dos lábios.
- Brincadeirinha verdadeira (quase sempre, pensei).
- O que faço ? Tenho saída ? Vou me deprimir em breve ?
- Por que diz isso ?
- Minha tia, igualzinha, só que mais velha e muito triste, sem graça alguma. E minha mãe ... É genético ? É sina ?
- Tem uns cem reais sobrando aí ?
- Tenho cartão de crédito. Por quê ? Vai me cobrar ?
- Que é isso, menina! Você tem doença nos olhos.
- Que é isso, pastor, quando quero enxergo até o que não devo. Não uso óculos pra nada.
- Doente dos olhos, declaro em nome de Jesus. Onde estudou ?
- No Dante.
- Não é possível!
- Por quê ?
- Deixa pra lá. Então, topa umas dicas ? Promete aplicá-las ?
- Claro, tudo para me livrar do tédio. Mas que história é essa de doença nos olhos ? O senhor também é médico ?
- De certo modo! Você vê pouco, enxerga pouco, seus olhos não são porta de entrada para a imaginação, você ainda não ganhou o mundo, menina. Seus olhos serão a sua salvação.
- Quê ? (Onde fui me meter. Pastor maluco!)
- Então, com os cem reais, passa lá na livraria e compre dois livros: 200 crônicas escolhidas, de Rubem Braga e Av. Paulista, de João Pereira Coutinho. O primeiro, um brasileiro que enxergou muito da vida; o segundo, um português da melhor cepa literária.
- C o quê ?
- Tá vendo, tai um tiquinho da sua doença.
- Não estou entendendo. Dois livros ? São grossos ?
- Calma, menina. Xô, tédio, tá amarrado, em nome de Jesus.
- Que é isso ?
- Nada, brincadeirinha. Quem vai começar a libertar você para a vida são esses dois livros.
- E a Bíblia ?
- No seu caso, vem depois, ok ?
- Faça o teste. Lá na livraria, leia, de cada livro, apenas a primeira crônica. Se você não gostar, não se encantar, deixa pra lá, talvez seu caso seja remédio, tarja preta.
- Que horror!
- Nem tanto. Acostuma e melhora. A ciência é uma bênção.
- Pastor de antigamente fazia oração, mostrava versículo, tinha misericórdia. Desculpe-me, estou sendo sincera.
- Sim, fazemos oração, lemos versículos, mas eu quero libertá-la, você entenderá depois.
- Que Deus me ajude!
- Já ajudou, está aqui. Moça volte depois de conhecer o Rubem e o João. Ok ? Vou fazer uma oração.

28/04/2009

Pobre Juan









Pobre Juan, houve um tempo, talvez você nem ainda fosse um projetinho de vida, que ir ao Maracanã era um espetáculo. Pegávamos o trem e descíamos na estação em frente ao Maraca, agitando bandeiras, com as camisas rubro-negras já um pouco suadas (êta Rio dos infernos!), cantarolando o hino do Mais Querido, gozando os adversários (e sendo gozados, claro). Sabe, pobre Juan, era uma festa, inclusive da família. Sim, pobre Juan, os pais levavam seus filhos, porque ainda não aflorara a imbecilidade mental generalizada de hoje, dentro e fora do campo.


Sabe, pobre Juan, o torcedor rubro-negro, assim como outros, adoravam a apresentação de um ESPETÁCULO. Por acaso, pobre Juan, você sabe o que é espetáculo dentro do campo ? É, talvez não saiba, e nem sei se você é o culpado, talvez seja vítima. Mas, vou lhe dizer: espetáculo fora do campo era gols espetaculares (Juan, acorda, como aqueles dois do Ronaldo contra o Santos, exatamente no mesmo horário do seu vexame do domingo passado), e, também, Juanito, dribles, dribles, ou como dizia o povo alegre, com alma lavada e encharcada de suor, "dibres", "dibres", lá íamos nós comentando os lençóis, as embaixadas, o ovo ou caneta, o jogador que caiu sentado após ser entortado pelo ponta-direita ou esquerda. E mais, pobrito Juan, até admirávamos os adversários habilidosos.


Você é novo, Juan, vou lhe contar, entre tantas, o seu Botafogo sempre foi time de craques. Lembro-me de certa vez, flamentoxbotafogo, 10 minutos de jogo, duas bolas na trave: a primeira de Jairzinho, o furacão; a segunda, de Doval, o diabo louro. Que bonito, Juan, você não tem idéia! E o Paulo César Caju, botafoguense, serelepe, ousado, abusado, metido e cracaço,açoaçoaço... O que aquele rapaz fazia no maracanã era digno de arte, muitas vezes bailava diante do adversário atônito, inclusive do flamengo.


Que isso, Juan, deixa de ser trouxa, que papelão no domingo, hein! O maicolsuel foi simplesmente o apresentador daquilo que amamos no futebol. Hoje, Juan pobre de espírito e de graça, tudo está homogêneo, plástico, insosso, sem arte, sem cor, se é que me entende, garoto.


Eu termino com um conselho: em vez de partir para querer "matar" o boleiro craque, pense em melhorar seu futebol para anular na origem dos dribles maravilhosos. Sem agressão rapaz. Procure saber sobre o Nilton Santos, aprenda com a categoria dele. Sabe quem foi ?


Pobre Juan, eu sou flamenguista de coração, de nascença, e abominei sua atitude. O flamengo do meu coração não tem lugar para você, caso continue com esta pequenez de ser.







O único Pobre Juan que admiro é o restaurante argentino de São Paulo. Aquilo lá é que é craque.


27/04/2009

Busque o Talento



Bichado é a gíria no futebol para dizer que um jogador está acabado fisicamente. Há uma volúpia encarnada tanto nos comentarista quanto na própria torcida, principalmente se o jogador é famoso.

Aconteceu com Ronaldo, apelidado de Fenômeno, em razão de seu incrível e bem-sucedido futebol. Mas por três vezes ele foi execrado quando das contusões gravíssimas. Digo, sinceramente, que o tom pessimista dos analistas tinha lá sua razão. Aos olhos dos pequenos era impossível algum mortal vencer os obstáculos por três vezes.

Mas, o sucesso não acontece por acaso. Ronaldo é uma pessoa diferenciada. Ele reúne talento e uma incrível força para vencer barreiras. É um determinado. A derrota não faz parte do seu dicionário existencial.

Pessoas assim são absolutamente vencedoras em suas áreas de atuação. O talento faz a diferença onde tudo é mediano ou medíocre. O que o Fenômeno fez ontem (Coríntians x Santos) poucos fazem, pouquíssimos tem a habilidade para fazer.

Preste atenção: o talento é caro, faz a diferença e apresenta resultados. Infelizes são os que desprezam os talentosos. Pessoas e grupos com mentes restritas choram quando têm de investir em talentos caros. Na verdade, eles impedem a aquisição do virtuose, porque são toscos, suas visões padecem de miopia, colhem sempre resultados rasteiros. E, claro, só reclamam e não se importam com potencialidades.

Lanço luz sobre dois aspecto:
1. Procure, ainda que leve algum tempo, aquilo que você sabe que faz bem ou que tem potencialidade. Seja o que for, mas procure. Desenvolva disciplinadamente seu talento (ou talentos). Busque tudo que há disponível para agregar conhecimento e valor ao que você faz de melhor. Potencialize o seu ponto forte. Isso talvez leve tempo, mas não importa. Nunca se esqueça, em alguma área, com certeza, você é ou tem possibilidade de fazer diferença;
2. Reconheça, alegre-se e invista no talento dos outros. Seja na sua família, no seu trabalho ou na sua igreja. Diga não à mediocridade. Mova mundos e fundos em prol do talento.

O mundo ao seu redor agradecerá.

Tenha uma abençoada semana.

Revdo. Mauro Meneguelli


23/04/2009

Quanto vale um testemunho cristão ?

Na cerimônia de Miss EUA no domingo a noite, a competidora Carrie Prejean teve de responder à pergunta que ela mais temia: “Vermont recentemente se tornou o quarto estado a legalizar o casamento de mesmo sexo. Você acha que todos os estados devem imitar?”
Prejean, já coroada Miss Califórnia, estava sendo considerada a candidata com as melhores chances de ganhar o concurso Miss EUA, mas ela sabia que sua resposta a essa única pergunta poderia não ficar bem para os jurados, principalmente o juiz que fez a pergunta, o blogueiro de fofocas de celebridades Perez Hilton, que é abertamente homossexual e que se considera “a rainha da mídia”.
“De todos os assuntos que estudei, temi esse. Orei para que não me fizessem uma pergunta sobre casamento gay”, disse Prejean para Courtney Friel do Canal de Notícias Fox numa entrevista exclusiva. “Se tivessem escolhido qualquer outra pergunta, sei que eu teria vencido”.
A resposta dela, que de repente a tornou o centro tanto de elogios quando de zombarias, incluiu as palavras: “Em meu país, em minha família, penso que creio que um casamento deve ser entre um homem e uma mulher. Sem ofensas a ninguém aí, mas é assim que fui criada e é assim que penso que deve ser — entre um homem e uma mulher”.
O vídeo da pergunta e a total resposta de Prejean, em inglês, pode ser visto aqui:



Em sua entrevista com Friel, Prejean explicou que, no final das contas, o maior juiz do caráter dela era não aquele que lhe fez a pergunta, mas aquele que não precisa de uma câmera de TV para assistir à resposta dela.
“Isso aconteceu por um motivo. Ao me fazer responder a essa pergunta na frente de uma audiência nacional, Deus estava testando meu caráter e fé”, Prejean disse. “Estou contente que permaneci fiel a mim mesma”.
Mais tarde na entrevista, Prejean acrescentou: “Não tenho lamentos sobre dar respostas com honestidade. Perez Hilton me perguntou sobre minha opinião e eu lhe dei. Não tenho nada contra os gays, e não tive intenção de ofender ninguém em minha resposta”.
Contudo, Hilton pareceu extremamente ofendido num vídeo de YouTube que ele fez logo depois do término do concurso, chamando-a de “burra” e um palavrão, e afirmando que ela deu “a pior resposta na história das cerimônias de Miss EUA”.
Prejean, que no final terminou como a candidata mais importante do concurso, perdendo a coroa para a Miss Carolina do Norte Kristen Dalton, confessa que ficou transtornada com o descontrole de Hilton, mas também diz que ela recebeu uma enchurrada de apoio.
“Obtive mais de 500 pedidos de amizade no Facebook, centenas de mensagens de pessoas que não conheço, dizendo que estão orgulhosas que eu fiquei firme”, disse ela. “Isso fez de mim a real vencedora da noite”.
O título da vencedora Kristen Dalton, noticiou o jornal londrino Daily Mail, vem com o uso durante um ano de um apartamento em Nova Iorque, uma equipe de relações públicas, uma bolsa de dois anos na Acadêmia Cinematográfica de Nova Iorque e um salário que não foi revelado. Dalton também competirá no concurso Miss Universo em agosto.
Se por algum motivo Dalton ficar incapacitada de cumprir seus deveres como Miss EUA, Prejean seria a primeira na fila para cumprir as resonsabilidades da vencedora do concurso Miss EUA.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: WND

16/04/2009

A PF e a Bósnia

Copie o link abaixo e ouça o que não sai nos grandes jornais. Preste bem atenção.
http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/audios/160409.mp3

Caso queira apenas ler ... lá vai:

A PF está balcanizada. Quem a definiu assim pela primeira vez foi Reinaldo Azevedo. Mais um acerto dele.
Duas semanas atrás, recebi um relatório produzido pela PF sobre Victor Martins e a ANP. Por que o relatório me foi encaminhado? Simples: em minha coluna, eu já citara Victor Martins e seu Big Brother - Franklin Martins. Eu já fora até processado por esse motivo. Os agentes da PF imaginaram que eu pudesse me interessar pelo assunto. E eu me interessei. Muito.
Se a PF está balcanizada, os agentes que me mandaram o relatório sobre Victor Martins e a ANP podem ser comparados aos bósnios de Mostar. Apesar de isolados, com suas pontes bombardeadas, eles ainda tentam resistir aos Karadzic do petismo. O que eu posso garantir é o seguinte: o relatório foi produzido por uma etnia da PF e foi engavetado por outra etnia da PF, que tenta aniquilar a primeira.
Nessa guerra de PF contra PF, Protógenes Queiroz desempenhou um papel marginal: o sargento ignorante e inescrupuloso que seguiu as ordens de seus superiores e cometeu uma série de abusos, uma série de ilegalidades. Seus superiores: Paulo Lacerda e, segundo o próprio Protógenes Queiroz, Lula.
Ninguém entende direito o envolvimento de Lula nessa história. Eu tenho uma ou duas suspeitas. A Satiagraha foi montada depois que Veja publicou uma reportagem revelando que Daniel Dantas tinha uma lista de contas em paraísos fiscais que pertenceriam às maiores autoridades do governo. Entre elas, Paulo Lacerda e Lula. Qual poderia ser a meta da PF e da Abin? Descobrir que dados Daniel Dantas realmente possuía. E se esses dados se referiam a contas verdadeiras ou falsas. Quando Daniel Dantas concordou em vender a Brasil Telecom para a Andrade Gutierrez, Lula decidiu encerrar a Satiagraha. Mas a máquina da PF e da Abin, como o computador Hal, de "2001", já fugira do controle, voltando-se contra os seus criadores.
Na CPI do Grampo, Protógenes Queiroz sugeriu que os documentos da Kroll, a empresa que Daniel Dantas contratou para espionar a Telecom Italia, fossem abertos. Ninguém fará isso, porque a Kroll flagrou um monte de gente ligada ao petismo. Por esse mesmo motivo, ninguém investigou a contraespionagem da Telecom Italia, que rendeu um processo na Itália contra seus dirigentes. Nesse processo eram citados - sempre eles - Paulo Lacerda e Lula. A denúncia dos procuradores milaneses contra a Telecom Italia é também uma das maiores provas da espionagem encomendada por Daniel Dantas. Os hackers italianos introduziram um cavalo-de-tróia no computador de um agente da Kroll. Depois disso, passaram a receber automaticamente todos os seus relatórios secretos. É o que consta do processo italiano: Daniel Dantas espionou, a Telecom Italia contraespionou.
O resultado da PF balcanizada é esse: o caso da ANP foi engavetado, o caso da Kroll foi engavetado, o caso da Telecom Italia foi engavetado. Quase sempre contando com a sabotagem de picaretas remunerados para abafá-los. O caso da Telecom Italia tem até um blogueiro que, para fazer seu trabalhinho sujo, assinou um contrato de 180 mil reais por ano com a TIM, que pertence à própria Telecom Italia. Quando a guerra acabar, será preciso reconstruir a ponte de Mostar.

11/04/2009

Outra dica

Estamos case órfãos de bons textos. No jornalismo, foi-se o tempo das matérias de opinião. Pegue os quatro ou cinco mais importantes jornais do país e ... tudo igual.

Recomendo o imperdível João Pereira Coutinho, um português notável. Vá a livraria e compre Av. Paulista, crônicas publicadas no Jornal Folha de São Paulo (junto com Luiz Felipe Pondé talvez sejam os melhores textos daquele jornal), editora Record.

Duvido que se arrependa, exceto se já for um ser atacado virulentamente "pelo outro ser possível". Rsrsrs, deixa pra lá.

Uma dica



Gran Torino

Se ainda não assistiu, está perdendo feio. Mais um grande filme de Clint Eastwood, onde captamos um tipo de caráter americano que está indo pelo ralo. Você encontrará um homem perplexo com as mudanças velozes ao seu redor. Uma vida que vai se transformando pelos relacionamentos inevitáveis. Um depositório de honra, ética e bondade. Um rude homem marcado pela vida, vencido pela beleza sincera dos vizinhos. Um choque.

Não perca!

09/03/2009

Um Fenômeno !


A capacidade do ser humano de superar desafios é deslumbrante. Enquanto uns aceitam a derrota antes mesmo da sua chegada, outros embrenham-se na destemida vontade de não entregar os pontos, não jogar a toalha. Na maioria, todo derrotado já preparou sua caída, pavimentou a estrada que terminará no precipício. Muitos sucumbem por muito pouco.

Ronaldo, apelidado de fenômeno, com justiça, é a personificação máxima de quem não aceita a derrota. Vítima de contusões seriíssimas dentro do campo, responsável por desastradas cenas na vida particular, não desiste nunca. Ergue a cabeça, determina o sonho, estabelece a meta e paga o preço, suporta o sacrifício do caminho até o reinício. Somos testemunhas, agora, da terceira vitória contra delicada contusão.

Ontem, em Presidente Prudente, ao bailar com a bola diante do adversário, ao mirar o gol e acertar o chute no travessão e ao cabecear a bola para dentro da rede e correr feliz para a torcida, exaurindo a cratera gritando gol e vociferando que conseguiu, foi e m o c i o n a n t e.

Será neste aspecto não poderíamos aprender um pouco com o fenômeno ?

03/03/2009

Não Feche os Olhos

Mais uma das inúmeras amostras, casos, evidências de que nosso mundo, nossa imprensa, nosso âmbito político e cultural está escravizado pelo pensamento esquerdista: quando a freira imã Dorothy Stang foi brutalmente assassinada, e por bandidos da pior espécie, a mídia, nacional e estrangeira, com razão, abasteceu por semanas/meses a todos nós com notícias e juízos. Correto! Mas, vejam o absurdo da tendenciosidade: quatro funcionários de uma fazenda foram brutalmente assassinados por militantes do MST (organização comunista e criminosa que atua livremente no Brasil). Pergunto: onde está a manifestação da mídia, nacional e estrangeira, abastecendo-nos, com igual proporção, com as notícias e os juízos ? O que dizem os aparelhos de esquerda ? Talvez estejam dizendo que aqueles quatro estavam a serviço dos burgueses, que eram dispresíveis, que eles, os assassinos, estão cumprindo um dever histórico ...

Você ainda não entende o que está acontecendo em nosso país e continente ?

Em Cristo

04/02/2009

Israel-Hamas 11

Você precisa ler o que segue abaixo. Saiu no blog do imprescindível jornalista Reinaldo Azevedo (www.reinaldoazevedo.com.br).

"
NÃO, ISRAEL NÃO ATACOU A ESCOLA DA ONU. ERA UMA FARSA DO HAMAS. A ONU FOI OBRIGADA A ADMITIR A VERDADE. QUASE UM MÊS DEPOIS! CADÊ AS MANCHETES?

A notícia não está em nenhum dos jornais brasileiros ou nos grandes sites noticiosos. Lembram-se aquele ataque das Forças de Defesa de Israel a uma escola da ONU, que matou 43 pessoas? Pois é. Não foi numa escola da ONU coisa nenhuma, o que os israelenses vinham dizendo desde o dia 6 de janeiro. Só na segunda-feira, quase um mês depois, Mawell Gaylord, coordenador de ações humanitárias da ONU em Jerusalém, admite a verdade: o morteiro foi lançado numa rua PERTO da escola, mas não contra a escola.

Ora, recuperem o noticiário dos jornais e sites do Brasil e do mundo naquele dia 6. Lembro-me de ter aqui ironizado que os israelenses, maus como pica-paus, não podiam ver uma escola da ONU que iam logo jogando morteiros. Talvez para se livrar do tédio, não é? Ah, acusaram-me de insensível facinoroso. Marcelo Coelho, da Folha, sugeriu no jornal e no seu blog que tenho certa simpatia pelo assassinato em massa de crianças... Mais: como eu alertasse aqui para o óbvio — O HAMAS É A FONTE DAS NOTÍCIAS —, fui acusado de realismo estúpido. Coelho chegou a indagar algo como: “Para que jornalismo se já existem os militares?” Ou coisa assim. Chegou a minha vez de indagar: PARA QUE COELHO SE JÁ EXISTE O HAMAS?

O jornalismo dele, não sei para que serve. O meu existe, entre outras razões, para que os freqüentadores deste blog possam ler com mais acuidade o que é noticiado na imprensa.

Não se espante, leitor, se, naquele episódio, não tiverem morrido as 43 pessoas anunciadas. Todas, rigorosamente todas as ditas “atrocidades” cometidas por Israel têm origem no, como direi?, Departamento de Propaganda do Hamas: do grande número de crianças e civis mortos ao uso de bombas de fragmentação e fósforo branco para atacar pessoas. Este segundo caso, então, pode dar pano para manga. A tal substância não é considerada arma química. É empregada para iluminar alvos noturnos e criar cortina de fumaça para ação da infantaria. Israel nega que tenha feito qualquer coisa fora das leis internacionais. Como negava que tivesse jogado morteiro numa escola da ONU — e falava a verdade. De todo modo, abriu-se uma investigação.

Como se vê, o Hamas faz direitinho o seu trabalho. O ataque mentiroso à escola foi manchete do mundo inteiro. O desmentido, até agora, está apenas no Haaretz. O mundo também não se interessou em manchetar as torturas e execuções sumárias que se seguiram à retirada de Israel de Gaza.

A imprensa ocidental se deixou seqüestrar pela lógica terrorista. Esse caso da escola merece a justa designação: ESCÂNDALO. Quer dizer que os homens da ONU em Gaza demoraram um mês para fazer o que poderiam ter sido feito em cinco minutos? Escrevi aqui, certa feita, que o principal inimigo de Israel no Oriente Médio é a organização. Foi uma gritaria. Eis aí.

Bem, esperar o quê? O principal representante das Nações Unidas em Gaza é um sujeito que acredita que os próprios EUA tramaram o 11 de Setembro...

é, leitores. Como diria aquele, quando já temos o terrorismo e a ONU, pra que certo jornalismo, não é mesmo?" (5 de fevereiro de 2009)

Se quiserem conferir a notícia: http://www.haaretz.com/hasen/spages/1061189.html

28/01/2009

A guerra continuará Israel-Hamas 10

A guerra travada com bombas, balas etc continuará. Sim, e o motivo está nos seguintes fatos:
1. Os palestinos não anunciaram o reconhecimento do Estado de Israel;
2. Continuam desejando que Israel seja varrido do mapa;
3. Irá, Síria, Rússia, China e todo o pensamento de esquerda do mundo dão guarida, irracionalmente, a tudo o que emana dos palestinos;
4. A maior parte da mídia ocidental está contaminada contra Israel, independente dos fatos;
5. Ontem, o Hamas violou a trégua, atingindo com uma bomba um soldado israelense. Onde estão as vozes pelo mundo protestando contra esta violação que resultou em morte ? Procure, procure. O que encontrará, com certeza, será o destaque acusando Israel de se defender.
6. Na gramática do conflito, propagada pelos professores da parcialidade, destaca-se somente o sujeito israelense, regam com lágrimas de crocodilo o objeto direto afetado, sempre quando é palestino;
7. Com esse pensamento dominante, não duvide, a paz continua longe.

Rogue a Deus, incessantemente, em favor da paz correta, verdadeira, útil.

18/01/2009

Um desenho que diz muito

Esta desenho traduz uma das grandes verdades.
(fonte.www.heitordepaola.com)


A diferença real entre um militante do Hamas e de Israel.

17/01/2009

A Troca


Parafraseando a música, quem não gosta de cinema é ruim da cabeça ou doente dos olhos. Ir ao cinema, pinçando um bom filme, claro, constitui para nós benesses incomensuráveis. Podemos simplesmente refrescar nossa mente, exorcizar o estresse, adquirir conhecimento, cultura ou, entre tantas, regar nossas emoções, quando, lá pelo término do filme, desabarmos em lágrimas, porque o final foi tocante, espremendo o coração.

Em post anterior, recomendei o fabuloso Café dos Maestros, onde podemos ver até que ponto um artista é agraciado pelo dom, como também o eleva ao grau máximo da potencialidade e sofisticação.

Minha outra indicação é o filme A Troca, pelas seguintes razões: trata-se de um filme baseado em história real, excelente desempenho de Angelina Jolie, uma história que toca e incomoda qualquer família, mas, além disso, o que me interessa é revelar o corretíssimo exemplo de um pastor presbiteriano (John Malkovich), plenamente consciente de sua obrigação histórica, seguindo a linha dos presbiterianos desde João Calvino.

Não deixe de assistir, por favor. Você verá o quanto o protestantismo histórico, hoje, está afastado de suas responsabilidades.

13/01/2009

Israel-Hamas 9

Para que gosta de bons artigos, aqui vai mais um. Perdoem-me por ser longo, mas muitos não têm acesso a outros jornais.

O POVO É RESPONSÁVEL POR SUAS ESCOLHAS

Eu acredito em eleições. E acredito que o povo sempre tem a capacidade de julgar o que considera bom para si. Isso não quer dizer que o povo acerte sempre: não são poucas as vezes em que a decisão mostra-se errada no futuro. Não importa, no momento em que comparece às urnas, certo ou errado, o povo é responsável por suas escolhas.

Por que essa conversa? Porque isso não me sai da mente quando vejo, chocado, os bombardeios em Gaza. Em 2006, houve eleições para escolha do primeiro-ministro palestino. Era um contexto em que os EUA clamavam pela democratização do mundo árabe. Quando o Hamas saiu-se vitorioso, muita gente, diante dos lamentos dos americanos, riu, dizendo algo assim: “Ora, não queriam democracia? Agora o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA lamentam? Então democracia só vale quando ganham os aliados?” Na época, escrevi que a simples presença do Hamas nas eleições mostrava que aquilo não era uma democracia: porque democracia não é o regime em que todas as tendências disputam o voto; democracia é o regime em que todas as tendências que aceitam a democracia disputam o voto. Como o Hamas prega uma teocracia, um sistema político que o aceita como legítimo aspirante ao poder não pode ser chamado de democracia. Seja como for, tendo sido democráticas ou não, aquelas eleições expressaram a vontade do povo: observadores internacionais atestaram que o pleito transcorreu sem fraudes.

E o que pregava o Hamas na campanha de 2006? Antes, para entender o linguajar, é importante lembrar que o Hamas não aceita a existência do Estado de Israel, chamado de “Entidade Sionista”. Assim, quando se refere à “Palestina”, o Hamas engloba tudo, inclusive Israel. Destaco aqui três pontos do programa eleitoral (na disputa, o grupo deu-se o nome de “Mudança e Reforma”): “A Palestina é uma terra árabe e muçulmana”; “O povo palestino ainda está em processo de libertação nacional e tem o direito de usar todos os meios para alcançar esse objetivo, inclusive a luta armada”; “Entre outras coisas, nosso programa defende a “Resistência” e o reforço de seu papel para resistir à Ocupação e alcançar a liberação. A ‘Mudança e Reforma’ vai também construir um cidadão palestino orgulhoso de sua religião, terra, liberdade e dignidade; e que, por elas, esteja pronto para o sacrifício.”

Deu para entender? O Hamas propôs um programa segundo o qual não há lugar para judeus na “Palestina”, o uso da luta armada deve ser reforçado para se livrar deles e os cidadãos comuns devem estar preparados para se sacrificar (morrer) pela religião, pela terra, pela liberdade e pela dignidade.

Havia alternativa? Sim, apesar da ambigüidade eterna, o Fatah do presidente Mahmoud Abbas (e, antes, de Yasser Arafat), na mesma eleição pregava a saída de Israel dos territórios ocupados em 1967, a criação de um Estado Palestino com sua capital em Jerusalém e uma solução para os refugiados de 1948 com base em resoluções da ONU, uma agenda que só parece moderada porque é comparada à do Hamas. Embora estimulasse e declarasse legítima a resistência à ocupação, a novos assentamentos judaicos e à construção do muro de proteção que Israel ergue entre a Cisjordânia e seu território, o Fatah declarava expressamente: “Quando o imortal presidente Arafat anunciou em 1988 a decisão do Conselho Nacional Palestino, reunido naquele ano, de adotar a ‘solução histórica’, que se baseia no estabelecimento de um Estado independente Palestino lado a lado com Israel, ele estava de fato declarando que o povo palestino e suas lideranças tinham adotado a paz como um opção estratégica.”

E qual foi a decisão dos palestinos? Num sistema eleitoral que adota o voto distrital misto, o Hamas ganhou tanto no voto proporcional quando nos distritos, abocanhando 74 dos 132 assentos do parlamento. Ou seja, diante do desgaste de 40 anos do Fatah, e das denúncias de corrupção que pairavam sobre o movimento, os palestinos deixaram a paz de lado e optaram pela promessa de pureza divina e dos foguetes do Hamas. Meses depois, uma luta interna feroz entre os dois grupos teve lugar e resultou numa divisão territorial: o Fatah ficou com a Cisjordânia, onde a situação é de calma, e o Hamas ficou com Gaza, de onde continuou pregando o programa aprovado pelos eleitores: enfrentamento armado, mesmo tendo consciência do que isso acarretaria.

Diante disso, dá para dizer que os palestinos de Gaza são inocentes vítimas do jugo do Hamas e de uma reação desproporcional dos israelenses?

Olha, eu deploro a guerra, lamento profundamente a morte de tanta gente, especialmente de crianças, vítimas de uma guerra de adultos. Vejo as bombas, e fico prostrado, temendo que o bom senso nunca chegue. Mas isso não me impede de ver que a guerra, com suas consequências, foi uma escolha consciente também dos palestinos de Gaza. Retratá-los como despossuídos de todo poder de influir em seus destinos não é mais uma verdade desde 2006.

Parecerá sempre simplificação qualquer coisa que se diga num espaço tão curto, em que é preciso deixar de lado as raízes desse conflito e a trama tão complicada que distribuiu culpa e vítimas por todos os lados. Mas não consigo terminar este artigo sem dizer: para que haja paz, os dois lados têm de ceder em questões tidas como inegociáveis, o apelo às armas têm de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado ao lado de Israel, cujo direito a existir não deve ser questionado. Se isso acontecer, muitos árabes e israelenses daquela região não se amarão, terão antipatias mútuas, mas viverão lado a lado.

Utopia?

PS: Peço desculpas por ter dito, em meu último artigo, que os “professores não ensinam” quando quis dizer que as escolas não ensinam.

Ali Kamel
O Globo, 13jan2009

11/01/2009

Israel-Hamas 8

Durante toda a semana, principalmente neste domingo, lendo três jornais e internet, vejo pouca notícia e análise sobre:
1. O Hamas rejeitou o apelo da ONU para o cessar-fogo. A maioria só mencionou a negativa de Israel. Para quem está vendo tantos civis morrer, deveria logo aceitar os termos e preservar a vida de seus habitantes. Na verdade, o Hamas não está ligando para os habitantes de Gaza;

2. Poucos mencionam que a Autoridade Palestina, que controla a Cisjordânia, nada faz para precionar o Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Eles são palestinos e inimigos mortais. Para controlar Gaza, o Hamas fuzilou mais de cem militantes do Fatah, braço militar da Autoridade Palestina;

3. Basta, conforme exaustivamente garantiu Israel, o Hamas: a) Aceitar a existência de Israel (Eles dizem que querem destruir Israel); b) renunciar os ataques suicidas, homens e mulheres-bomba e parar de lançar foguetes; c) firmar e cumprir um acordo de não-agressão.
Caso isto aconteça, Israel e o mundo não pouparão esforços para o estabelecimento do Estado Palestino, como, também, haverá enorme solidariedade mundial para o desenvolvimento dos palestinos.

Continuemos em oração em favor da paz.

07/01/2009

Israel-Hamas 7


Por quê ?

Sabendo que devido ao enorme indíce populacional, que suas operações militares ocorrem junto e de dentro de zonas residenciais/comerciais e que civis inevitavelmente serão atingidos pelo chamado efeito colateral, por que:

1. O Hamas não decreta o fim dos lançamentos dos foguetes caseiros, iranianos e chineses contra cidades de Israel (já que este foi o motivo pelo qual Israel está se protegendo) ?

2. Por que o Hamas não promete o fim dos túneis, do Egito para Gaza, por onde passam as armas e foguetes ?

3. Por que a comunidade internacional, ONU principalmente, não menciona e não preciona pelo fim do x da questão ?

Parece que hoje a proposta do Egito vai nesse sentido.

Enquanto aguardamos, nossa atitude é de intenso clamor em oração em favor do fim do conflito, pela instituição da paz entre israelenses e palestinos.

06/01/2009

Israel-Hamas 6




Tínhamos um programa na Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte que incentivava o debate entre Igreja e Sociedade, chamado Papo na Segunda. Certa vez, lá estavam dois debatedores falando sobre palestina, Israel etc. Muita propaganda, e enganosa.
Semanas depois, eu estava na PUC debantendo com um deles sobre paz no oriente médio. Quando mencionei o absurdo da negativa de Arafat diante dos oferecimentos de Ehud Barak para que houvesse a paz definitiva, o debatedor enfureceu-se, dizendo que tudo aquilo, mediado por Bill Clinton, era mentira. A mentira estampada em todas as mídias do mundo. Somente uma mente pervertida poderia afirmar aquilo. Camp David, 2000 (foto), onde Clinton e Barak fizeram de tudo para alcançar a paz e a solução definitiva, foi para o ralo.

Pois bem, abaixo está um excelente e correto texto do jornalista Reinaldo Azevedo. Leiam com atenção:

IRONIA TRÁGICA

Não deixa de ser irônico — e trágico — que o ministro da Defesa de Israel seja Ehud Barak, que foi primeiro-ministro entre 17 de maio de 1999 e 7 de março de 2001. Por que digo isso? De todos os governantes israelenses, foi ele quem mais se mostrou disposto a fazer concessões para pôr fim ao conflito.

Acreditem — na verdade, pesquisem: Barak ofereceu ao então líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Iasser Arafat, quase tudo o que ele pedira no encontro de Camp David, em 2000, e isso incluía a devolução de 90% dos chamados territórios ocupados. Não entregava Jerusalém ao controle palestino, mas garantia a autonomia da parte árabe da cidade. O plano incluía a volta dos “refugiados”? Não! Já tratei desse assunto aqui. Não creio que essa seja uma reivindicação de quem pretende a convivência pacífica de dois estados. De todo modo, acenava-se com uma espécie de foro permanente de resolução de conflitos. Em vez do terrorismo e do confronto armado, Barak propunha, vejam só, a política como forma de resolver as
diferenças.

Arafat hesitou, mas preferiu recusar a proposta e apoiar a segunda intifada, que acabou por derrubar Ehud Barak — intifada que acabou por dar força ao Hamas, que havia surgido pouco antes, em 1987, e que vem solapando, dia após dia, a força da Fatah, o grupo ao qual pertencia Arafat. Ao lado do sectarismo anti-Israel, o Hamas optou pelo assistencialismo e pelo combate à corrupção, marca registrada de Arafat e sua turma.

Por que Barak caiu? Porque teve como resposta ao mais ousado plano de paz jamais apresentado por um governo israelense o levante palestino. Foi sucedido pelo então ultra-direitista (na particular geografia política de Israel) Ariel Sharon. O mundo esperou o pior. E Sharon, no entanto, surpreendeu. Foi ele quem operou a desocupação total de Gaza. Mais: mudou o status da política israelense, renunciando à presidência do Likud, dissolvendo o Parlamento e formando um novo partido, de centro, o Kadima. Sharon parecia realmente disposto a levar adiante um processo de concessões que resultasse na criação do estado palestino. E tinha liderança política para isso. Mas aí a tragédia: um segundo derrame, no dia 4 de janeiro de 2006, levou-o ao coma, em que se encontra até hoje. E aí foi a vez de Israel entrar numa espécie de fase anêmica de líderes.

Mas volto ao ponto. Barak quase conseguiu o acordo, não fosse a estupidez de Arafat. O velho líder, treinado no terrorismo, que muitos tomavam como “resistência”, deve ter temido não encontrar o seu lugar na política. Teria certamente de esmagar os insurgentes de sua própria base. Em 2000, isso ainda era possível. Hoje, o Hamas é que esmagou a Fatah na Faixa de Gaza. Os palestinos pagam um preço altíssimo pela bobagem feita por Arafat. E o homem que comanda a reação de Israel, que é o país agredido, é aquele que chegou mais longe no esforço de paz. Esforço que custou a sua deposição.


Extraído do blog: www.reinaldoazevedo.com.br

Israel-Hamas 5

Estava produzindo um texto para lançar forte luz sobre a questão no Oriente Médio, quando, nesta madrugada, deparei-me com o texto do fabuloso João Pereira Coutinho, colunista português da Folha de SP. Por incrível que pareça, por isso minha alegria, minha linha era parecidíssima, na verdade, a teia da ficção, com a dele. Claro, nem de longe pretendo aproximar-me da maravilhosa pena do luzitano. Leiam, leiam:

Mudar as palavras

ISRAEL ESTÁ novamente em guerra com os terroristas do Hamas, e não existe comediante na face da Terra que não tenha opinião a respeito. Engraçado. Faz lembrar a última vez que estive em Israel e ouvi, quase sem acreditar, um colega meu, acadêmico, que em pleno Ministério da Defesa, em Jerusalém, começou a "ensinar" os analistas do sítio sobre a melhor forma de acabarem com o conflito. Israel luta há 60 anos por reconhecimento e paz. Mas ele, professor em Coimbra, acreditava que tinha a chave do problema. Recordo a cara dos israelenses quando ele começou o seu delírio. Uma mistura de incredulidade e compaixão.Não vou gastar o meu latim a tentar convencer os leitores desta Folha sobre quem tem, ou não tem, razão na guerra em curso. Prefiro contar uma história.

Imaginem os leitores que, em 1967, o Brasil era atacado por três potências da América Latina. As potências desejavam destruir o país e aniquilar cada um dos brasileiros. O Brasil venceria essa guerra e, por motivos de segurança, ocupava, digamos, o Uruguai, um dos agressores derrotados.Os anos passavam. A situação no ocupado Uruguai era intolerável: a presença brasileira no país recebia a condenação da esmagadora maioria do mundo e, além disso, a ocupação brasileira fizera despertar um grupo terrorista uruguaio que atacava indiscriminadamente civis brasileiros no Rio de Janeiro ou em São Paulo.

Perante esse cenário, o Brasil chegaria à conclusão de que só existiria verdadeira paz quando os uruguaios tivessem o seu Estado, o que implicava a retirada das tropas e dos colonos brasileiros da região. Dito e feito: em 2005, o Brasil se retira do Uruguai convencido de que essa concessão é o primeiro passo para a existência de dois Estados soberanos: o Brasil e o Uruguai.

Acontece que os uruguaios não pensam da mesma forma e, chamados às urnas, eles resolvem eleger um grupo terrorista ainda mais radical do que o anterior. Um grupo terrorista que não tem como objetivo a existência de dois Estados, mas a existência de um único Estado pela eliminação total do Brasil e do seu povo.

É assim que, nos três anos seguintes à retirada, os terroristas uruguaios lançam mais de 6.000 foguetes contra o Sul do Brasil, atingindo as povoações fronteiriças e matando indiscriminadamente civis brasileiros. A morte dos brasileiros não provoca nenhuma comoção internacional.Subitamente, surge um período de trégua, mediado por um país da América Latina interessado em promover a paz e regressar ao paradigma dos "dois Estados". O Brasil respeita a trégua de seis meses; mas o grupo terrorista uruguaio decide quebrá-la, lançando 300 mísseis, matando civis brasileiros e aterrorizando as populações do Sul.

Pergunta: o que faz o presidente do Brasil?Esqueçam o presidente real, que pelos vistos jamais defenderia o seu povo da agressão.

Na minha história imaginária, o presidente brasileiro entenderia que era seu dever proteger os brasileiros e começaria a bombardear as posições dos terroristas uruguaios. Os bombardeios, ao contrário dos foguetes lançados pelos terroristas, não se fazem contra alvos civis -mas contra alvos terroristas. Infelizmente, os terroristas têm por hábito usar as populações civis do Uruguai como escudos humanos, o que provoca baixas civis.Perante a resposta do Brasil, o mundo inteiro, com a exceção dos Estados Unidos, condena veementemente o Brasil e exige o fim dos ataques ao Uruguai.

Sem sucesso. O Brasil, apostado em neutralizar a estrutura terrorista uruguaia, não atende aos apelos da comunidade internacional por entender que é a sua sobrevivência que está em causa. E invade o Uruguai de forma a terminar, de um vez por todas, com a agressão de que é vítima desde que retirou voluntariamente da região em 2005.
Além disso, o Brasil também sabe que os terroristas uruguaios não estão sós; eles são treinados e financiados por uma grande potência da América Latina (a Argentina, por exemplo). A Argentina, liderada por um genocida, deseja ter capacidade nuclear para "riscar o Brasil do mapa".

Fim da história? Quase, leitores, quase. Agora, por favor, mudem os nomes. Onde está "Brasil", leiam "Israel". Onde está "Uruguai", leiam "Gaza". Onde está "Argentina", leiam "Irã". Onde está "América Latina", leiam "Oriente Médio". E tirem as suas conclusões. A ignorância tem cura. A estupidez é que não.

JOÃO PEREIRA COUTINHO
Folha de São Paulo, 6 jan 2009

05/01/2009

Israel-Hamas 4

Este vídeo não aparece na grande mídia. Nem quando estes atos de terrorismo perpetrados pelas organizações islâmicas, tipo Hamas ou Hezbollah, você não vê passeatas pelo mundo expressando a indignação. São vítimas civis, sempre, sempre.


Israel-Hamas 3

O texto é longo para os propósitos de um blog, mas vale a pena. Leia-o com atenção. Abaixo, com exatidão, contém a maior parte do problema.
Recomendo o livro do autor: Em Defesa de Israel, da editora Nobel. Indico, também, o excelente livro Mitos e Fatos. A Verdade sobre o conflito árabe-israelense, de Mitchell G.Bard, ed. Sêfer.


Ação militar israelense é legítima

Alan M. Dershowitz*


A ação militar israelense em Gaza é totalmente justificada de acordo com o direito internacional, e Israel deveria ser elogiado por seus atos de defesa contra o terrorismo internacional. O Artigo 51 da Carta da ONU reserva às nações o direito de agir em defesa própria contra ataques armados. A única limitação é a obediência ao princípio de proporcionalidade. As ações de Israel certamente atendem a esse princípio.

Quando Barack Obama visitou a cidade de Sderot no ano passado viu as mesmas coisas que eu vi em minha visita de março. Nos últimos quatro anos, terroristas palestinos dispararam mais de 2 mil foguetes contra essa área civil, na qual moram, na maior parte, pessoas pobres e trabalhadores.

Os foguetes destinam-se a fazer o máximo de vítimas civis. Alguns por pouco não acertaram pátios de escolas, creches e hospitais, mas outros atingiram seus alvos, matando mais de uma dúzia de civis desde 2001. Esses foguetes lançados contra alvos civis também feriram e traumatizaram inúmeras crianças.

Os habitantes de Sderot têm 15 segundos, desde o lançamento de um foguete, para correrem até um abrigo. A regra é que todo mundo esteja sempre a 15 segundos de um abrigo. Os abrigos estão em toda parte, mas idosos e pessoas com deficiências muitas vezes têm dificuldade para se proteger. Além disso, o sistema de alarme nem sempre funciona.

Disparar foguetes contra áreas densamente povoadas é a tática mais recente na guerra entre os terroristas que gostam da morte e as democracias que amam a vida. Os terroristas aprenderam a explorar a moralidade das democracias contra os que não querem matar civis, até mesmo civis inimigos.

Em um incidente recente, a inteligência israelense soube que uma casa particular estava sendo usada para a produção de foguetes. Tratava-se evidentemente de alvo militar. Mas na casa morava também uma família. Os militares israelenses telefonaram, então, para o proprietário da casa para informá-lo de que ela constituía um alvo militar e deram-lhe 30 minutos para que a família saísse. O proprietário chamou o Hamas, que imediatamente mandou dezenas de mães com crianças no colo ocupar o telhado da casa.

Nos últimos meses, vigorou um frágil cessar-fogo mediado pelo Egito. O Hamas concordou em parar com os foguetes e Israel aceitou suspender as ações militares contra os terroristas. Era um cessar-fogo dúbio e legalmente assimétrico.

Na realidade, era como se Israel dissesse ao Hamas: se vocês pararem com seus crimes de guerra matando civis inocentes, nós suspenderemos todas as ações militares legítimas e deixaremos de matar seus terroristas. Durante o cessar-fogo, Israel reservou-se o direito de empreender ações de autodefesa, como atacar terroristas que disparassem foguetes.

Pouco antes do início das hostilidades, Israel apresentou ao Hamas um incentivo e uma punição. Israel reabriu os postos de controle que haviam sido fechados depois que Gaza começou a lançar os foguetes, para permitir a entrada da ajuda humanitária. Mas o primeiro-ministro de Israel também fez uma última e dura advertência ao Hamas: se não parasse com os foguetes, haveria uma resposta militar em escala total.

Os foguetes do Hamas não pararam, e Israel manteve sua palavra, deflagrando um ataque aéreo cuidadosamente preparado contra alvos do Hamas.Houve duas reações internacionais diferentes e equivocadas à ação militar israelense. Como era previsível, Irã, Hamas e outros que costumam atacar Israel argumentaram que os ataques do Hamas contra civis israelenses são totalmente legítimos e os contra-ataques israelenses são crimes de guerra. Igualmente prevista foi a resposta da ONU, da União Europeia, da Rússia e de outros países que, quando se trata de Israel, veem uma equivalência moral e legítima entre os terroristas que atingem civis e uma democracia que responde alvejando terroristas.

A mais perigosa dessas duas respostas não é o absurdo alegado por Irã e Hamas, em grande parte ignorado pelas pessoas racionais, e sim a resposta da ONU e da União Europeia, que coloca em pé de igualdade o assassinato premeditado de civis e a legítima defesa. Essa falsa equivalência moral só encoraja os terroristas a persistir em suas ações ilegítimas contra a população civil.

PROPORCIONALIDADE

Alguns afirmam que Israel violou o princípio da proporcionalidade matando um número muito maior de terroristas do Hamas do que o de civis israelenses vitimados. Mas esse é um emprego equivocado do conceito de proporcionalidade, pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, não há equivalência legal entre a matança deliberada de civis inocentes e a matança deliberada de combatentes do Hamas. Segundo as leis da guerra, para impedir a morte de um único civil , é permitido eliminar qualquer número de combatentes. Em segundo lugar, a proporcionalidade não pode ser medida pelo número de civis mortos, mas pelo risco de morte de civis e pelas intenções dos que têm em sua mira esses civis. O Hamas procura matar o maior número possível de civis e aponta seus foguetes na direção de escolas, hospitais, playgrounds. O fato de que não tenha eliminado tantos quanto gostaria deve-se à enorme quantidade de recursos que Israel destinou para construir abrigos e sistemas de alarme. O Hamas recusa-se a construir abrigos, exatamente porque quer que Israel mate o maior número possível de civis palestinos, ainda que inadvertidamente.

Enquanto ONU e o restante da comunidade internacional não reconhecerem que o Hamas está cometendo três crimes de guerra - disparando contra civis israelenses, usando civis como escudos e buscando a destruição de um país membro da ONU - e Israel age em legítima defesa e por necessidade militar, o conflito continuará.

Se Israel conseguir destruir a organização terrorista Hamas, poderá lançar os alicerces de uma verdadeira paz com a Autoridade Palestina. Mas se o Hamas se obstinar a tomar como alvo cidadãos israelenses, Israel não terá outra opção senão persistir em suas operações de defesa. Nenhuma outra democracia do mundo agiria de maneira diferente.

*Alan Morton Dershowitz é advogado, jurista e professor da Universidade Harvard

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 5 de janeiro de 2009

04/01/2009

Israel-Hamas 2


Por que morrem civis ?


Porque guerras hoje em dia não são travadas em campo aberto. Antes, os guerreiros saiam para os campos e guerreavam. Estavam interessados em destruir o exército do outro.

Hoje, as cidades são densamente povoadas, há habitação em todo espaço que circunda as cidades.

Israel paga um preço alto por tentar destruir as bases militares do Hamas porque elas estão intencionalmente camufladas em áreas urbanas. Muitos foguetes são lançados dos terraços de prédios residenciais. Assim como o Hezbollah fez no sul do Líbano, o Hamas usa a população como escudo humano.

Pense por aqui, por exemplo. Quando a polícia sobe o morro ou invade uma favela para enfrentar bandidos, eles, os criminosos, escondem-se entre os habitantes, que, inevitavelmente, são vítimas. O que fazer ? Deixar o crime crescer e atuar livremente ? A resposta não é fácil e muito menos satisfatória.

Civis mortos em qualquer lugar do mundo não agrada a ninguém de boa vontade. Jamais queremos isso. Mas, pense bem, examinando profundamente, você verá quem inicia e é responsável por isso.

03/01/2009

Israel-Hamas 1

Todos os lúcidos e homens de boa fé deste mundo desejam a paz. Ela ainda não foi alcançada na região de Israel-Palestina por várias razões, entre elas por uma inequívoca: grupos islâmicos/palestinos/árabes são fidelíssimos ao seu mais alto propósito: a destruição completa de Israel.

A quem se dê o trabalho de rastrear a agenda desta querela, há de verificar, com farta documentação, que Israel está disposto a aceitar a existência de dois Estados na mesma região. Até hoje, isso não foi possível pelo fato dos palestinos (instigados e financiados por outros países) não aceitarem a proposta, que é mediada e incentivada por inúmeros países ocidentais, cujo benefício seria amplo, com vistas à soberania dos dois povos.

Ganhariam todos: Israel (conseguiria a paz para sua população), Palestinos (pela cooperação e até mesmo financiamento de Israel e outros países, deixaria sua miséria e cresceria economicamente), todos os países ocidentais, que tudo fazem para que haja paz.

Para quem não sabe, o Hamas rompeu a trégua acordada por seis meses lançando mísseis contra cidades do sul de Israel. Até agora, e isso fácil de rastrear, Israel não respondia na medida exata para estancar essas agressões e defender seu povo. Como diz o ditado popular, "um dia o caldo entorna".

02/01/2009

Dica: Café dos Maestros


Um verdadeiro presente no dia 30 de dezembro. Eu conto. Estava lendo a fresquíssima edição do momumental Irmãos Karamazov, de Doistoievski, ed. 34, embevecido, como sempre, com a narrativa do maior autor russo, quando fui tomar um cafezinho na cozinha. Ao voltar, dei uma passadinha no computador, e, sem nenhuma intenção prévia, olhei a programação de cinema. Rolando as páginas, deparei-me com nota sobre um encontro de mestres de tango. Filme produzido na argentina, meio parecido com o também fabuloso Buena Vista Social Club, apresenta o encontro dos mostros sagrados que fazem miséria com o bandoneón, piano etc.
Deu-me uma vontade imensa de ir ao cinema e conferir. Fechei o livro, pedi licença ao mestre que mais capturou a psicologia humana, boa e má, e parti para a sala escura.

Vou resumir: encantei-me. Confesso que em algumas cenas, capturadoras dos arroubos musicais do instrumento por excelência das bandas do Rio da Prata, senti meus olhos marejados. Que alegria! Que alimento para nossos escaninhos musicais mais sensíveis.

Pois é, eu indico: corra ao cinema e assista Café dos Maestros. Depois me diga se estou errado ?

31/10/2008

Amigos, vinho e pensamento domesticado

Converso com amigos, amigos do peito, gente que faço questão de tomar um vinho, rir, recordar. Mas, enquanto entoamos as abobrinhas da vez, entre um interlúdio e outro, vejo um retrato do estrago mental brasileiro, coisa tecida talvez desde o início da década de 60 do século anterior.

De soslaio, muitas vezes levitando mentalmente, sobrepondo as conversas ao exame de conteúdo, verifico a carência de fatos, análise e veracidade histórica (raramente sou bem-sucedido quando digo que isso não foi bem assim).

Na verdade, verdade mesmo, eu não me surpreendo. Em algum mês de 96, só me lembro do ano, eu resolvi pular fora da teia que até então estivera enredado. Vi que existia uma só linguagem, um só imaginário, um só embuste, uma só toada. E isso tinha a ver com o que se ensinava em uníssono na Universidade, nas três pelas quais passei.

Hoje, é preciso um grande esforço pessoal, solitário, de garimpeiro, para achar tesouros abaixo da superfície. Estou falando de tudo: cultura, política, história, costumes, teologia etc.

Os exemplos são inúmeros. Se for fermentar seu conhecimento político pela Rede Globo, seja canal aberto ou por cabo, você será mais uma peça ao inflacionado comportamento unívoco de manada. O que fizeram com Obama, Lindember e Eloá respondem apenas com uns pontinhos da constelação.

Ah, os meus amigos... eles são queridos, eles são do coração. Ainda tentarei algo para que eles enxerguem um pouco mais longe, ou mais embaixo. Ainda não sei como, por isso ainda triste. Meu vinho nesta sexta-feira descerá em completo silêncio pelas paredes da garganta. Talvez um blue de raiz, cantado por um daqueles cristãos negros criativos, venha em meu socorro. Esta será a garantia de um sono rejuvenescedor.

27/10/2008

A sina dos hermanos



É por isso que a Argentina tem no tango sua máxima expressão cultural. Parece que nasceram para chorar, para a melancolia. Não é que dona Cristina que combater a crise com mais protecionismo, taxação, mais tudo o que se sabe que não dá certo ?

Bachelet, ao contrário, e ensiando dona Cristina, propõe exatamente o contrário. Em face disso, embora menor, hoje o Chile é mais rico.

Sai tango, vai chorar longe!

25/10/2008

Finda-se este dia

Já disse que todo guerreiro mereçe um momento de deleite. No meu caso, ao findar o dia, quando estirado no sofá, acompanhado de um porto, ouço vozes refrescantes e confortadoras de jazz.
Hoje, estafado, estou atacando de Stacey Kent. Segue um cadinho dela:
 stacey kent - close your eyes


Sugiro-lhe que experimente: o porto e o disco The Boy Next Door, de Stacey Kent.

24/10/2008

A Economia não Mente

Fui, ontem, à Livraria Cultura para a palestra de Guy Sorman, um francês de pensamento acurado, lúcido quanto às transformações globais, absolutamente fundamento no melhor do pensamento econômico e político.
Lançou o livro que recomendo, conforme abaixo.

Editora É Realizações.
Inté.

19/09/2008

Dicas

Por que você não se aventura em leituras diferentes, que proporcionam conhecimento que jamais sairão nos jornais diários ou revistas semanais. Livros que se alinham à miséria do pensamento atual ? Aqui vão três dicas:


O Eixo do Mal Latino-Americano e a nova ordem mundial. Heitor de Paola. Ed. É Realizações.
Trata-se de farta documentação sobre o avanço organizado da esquerda em nosso continente e no mundo. Livro único no mercado editorial político e estratégico.




Cool It! Muita calma nessa hora. Bjorn Lomborg. Ed. Campus
Excelente defesa dos melhores meios para combater o Aquecimento Global, comparando com as reais e mais urgêntes necessidades. Desmascara bobagens de Gore Vidal.





O país dos petralhas. Reinaldo Azevedo. Ed. Record.
Livro de um dos melhores jornalistas do país. Autor do imperdível blog http://www.reinaldoazevedo.com.br/ e colunista mensal da Veja.
Reinaldo desconstrói as mentiras e tramas do PT.



Cumpri minha parte. Um dia você entenderá.
Abs

12/09/2008

Em poucos minutos

Poucas vezes eu ouvi em tão poucos minutos zilhões de besteiras. Se quiser conferir, acesse www.cbn.com.br e clique na fala de Arnaldo Jabor.
Trata o terrorismo islâmico como vítima do ocidente. Diz que Bush destruiu o mundo. Não se conforma com McCain e Palin, quase celebra o diabólico 11 de setembro.
E o pior é que muitos incautos, ouvindo o tresloucado, haverão de concordar, sem recorrer aos fatos e a aplicação história deles, sem alinhar tudo o que está envolvido, sem conhecer as peças do xadrez político e ideológico.
Que Deus tenha misericórdia!
That's all !

06/09/2008

Que é isso, Júlio César ?

Avaliação é a ferramenta poderosa para mudança, ajuste, melhoria. Sem examinar friamente o que está ocorrendo, jamais será percebida as possíveis falhas.

Temos, os brasileiros, uma mania de dar contornos à realidade. Por exemplo, a dupla feminina da vela, em Pequim, ganhou uma honrosa e inédita medalha de bronze. Mas a mãe de uma delas (até compreendo a emoção) dizia, aos berros: "Filha, essa medalha não é bronze, é ouro, é ouro, vocês são as verdadeiras campeãs!". Coração de mãe ... sei não!

Outro exemplo típico foi do goleiro Júlio César, da seleção brasileira, quando ofendido pelas palavras corretíssimas do presidente Lula, lembrando a garra dos argentinos quando perdem a bola, sobretudo o maravilhoso jogador Messi. Ofendendo o presidente, o goleiro não admitiu o que todos concordam. Os argentinos são "comem a bola dentro de campo". Alguma dúvida para quem viu a participação da seleção brasileira de futebol em Pequim ? Fala sério, Júlio!

Sim, é muito bom, bom demais quando colocamos a cara diante do espelho e perguntamos: "Espelho, espelho meu, onde foi que eu errei ?" Isso é atitude de coragem, de gente que deseja acertar, aprimorar. Isso é atitude de quem chama a responsabilidade para si e não a larga enquanto o problema não for resolvido.

Nunca atribua a terceiros a razão do seu fracasso. Pergunte-se, nua, fria e "cruelmente": "Por que eu deixei isso acontecer ?" Se aconteceu, a melhor atitude é a pergunta: "O que devo saber sobre o acontecido e como vou sair dessa rapidamente ?"

E o pior, para você saber, o Dunga (sim, o Dunga, aquele mesmo!) fez suas as palavras do goleiro Júlio César. É mole ?

04/09/2008

18/08/2008

Bom dia, segunda-feira!

Vem e Segue-me

... vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me. Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.
(MT 19, 21-22)


O jovem respeitava Jesus, pois o chamou de Mestre. Ele ainda tinha a convicção de que as obras é que davam acesso à vida eterna. Mas a dúvida pairava dentro de sua mente. Perguntou ao Mestre: “o que me falta fazer de bom para alcançar a vida eterna ?”

Jesus apresentou o check-list dos mandamentos. Tudo ok. Mas ainda faltava algo que transcendia o cumprimento da lista: aquilo que dirigia sua vida.

Jesus, aproveitando a oportunidade, confrontou o jovem naquilo que subterrâneamente o aprisionava: pediu para que ele se desfizesse de suas propriedades.

Mas o cerne do diálogo de Jesus com o jovem não estava no fato da venda de suas riquezas, nem na vantagem dos pobres pelo benefício das ofertas. O alvo do diálogo e o que havia de mais importante para a vida do jovem, sem dúvida, seria a disponibilidade para seguir e servir: “faça isso, depois, vem e segue-me.

Há o perigo de você se apegar a alguma coisa, seja o que for, e aquilo ser a verdadeira barreira, as correntes que o impede de ser verdadeiro seguidor do Mestre. Para o jovem, assim como para você, o verdadeiro teste tem um nome: discipulado.

Ser discípulo, aluno, seguidor, imitador é o seu alvo como pessoa.

Mas o jovem era cativo de suas riquezas. Suas posses abriam um fosso profundo entre ele e Jesus, impedindo-o de ser seguidor, discípulo.

Não, não se trata somente de riquezas, porque pode ser qualquer coisa que o impeça de seguir o Mestre. Já pensou a respeito ? Traduza a lição que Jesus transmitiu ao jovem e aplique-a a você. A pergunta que não pode calar: o que impede você de ser um fiel seguidor ? O que o trava na hora de ouvir a voz de Cristo: “vem e segue-me” ?

Diz o texto de Mateus que o jovem retirou-se triste. Não imite aquele jovem, tome a atitude de ouvir e crer que seguir a Jesus é o maior tesouro.

Tenha uma semana mais do que abençoada.

12/08/2008

Leitura Recomendada

Meus amados, perdoem-me o texto longo abaixo. Mas o tema é de estrema importância e de desconhecimento da maioria. Ele envolve, creiam, a sustentação da civilização cristã.
A entrevista foi extraída do site da Canção Nova.

Padre Paulo Ricardo Um alerta contra a instrumentalização da Igreja face aos interesses dos comunistas

Padre Paulo Ricardo de Azevedo, consultor da Congregação do Clero, em assuntos de catequese junto à Santa Sé, professor de Filosofia e Teologia, e reitor do Seminário Cristo Rei de Cuiabá (MT) denuncia as influências materialistas do marxismo cultural no mundo Ocidental com o objetivo de "descristianizar" a sociedade. Alerta para o perigo de uma leitura sociológica da Bíblia em função dos interesses do comunismo.

cancaonova.com: O que é o marxismo cultural?

Padre Paulo Ricardo: Marxismo cultural é um movimento ideológico que pretende implantar a revolução marxista. Não através dos meios armados ou de uma movimentação de violência, mas por meio da transformação da cultura ocidental. Na verdade, o Ocidente é uma cultura que está toda baseada, desde o tempo dos antigos filósofos gregos, principalmente depois do Cristianismo, na espiritualidade.

cancaonova.com: Por que muitos pensam que o comunismo desapareceu totalmente, após a queda da União Soviética?

Padre Paulo Ricardo: O que desapareceu foi o comunismo real, no entanto, os ideais marxistas continuam de pé e muito vivos, basta lermos os programas dos partidos políticos no Brasil e veremos que aquilo que se pretende com o marxismo continua sendo o ideal de toda uma movimentação política. Só que esses adeptos da cultura marxista estão convencidos de que não conseguirão implantá-la aqui se antes não destruírem a cultura, que há no país, toda baseada na espiritualidade, o que é típico do Ocidente como já foi dito. Trocando em miúdos, o marxismo é materialista e para implantá-lo é necessário que as pessoas estejam convencidas do materialismo. Então, eles, aos poucos, vãos desmontando a cultura ocidental, que é espiritual, cristã, filosófica e metafísica, e implantando o materialismo pagão, que é contra a metafísica e que só é a favor daquilo que é experimental, que se pode palpar, aquilo que podemos experimentar no dia-a-dia.

cancaonova.com: Como esta ideologia comunista mais afeta nossa vida de Igreja e influencia nosso pensamento?

Padre Paulo Ricardo: Ela afeta justamente pelo fato de que a teologia da libertação, aqui no Brasil e na América Latina, tem como ideal a implantação de uma sociedade parecida com aquela que os socialistas e comunistas esperavam, ou seja, uma sociedade igualitária, em que as pessoas sejam todas iguais. Por meio dessa teologia, esse tipo de leitura da Bíblia e da realidade bastante socializante e materialista foram entrando aos poucos em nossa maneira de ver o mundo e da visão da Igreja.

cancaonova.com: Como combatê-la e se dar conta de que se trata de uma 'ideologia marxista', mesmo que disfarçada?

Padre Paulo Ricardo: A primeira coisa é compreendermos que, através da ideologia marxista, se tende a ler tudo a partir da sociologia. Então, quando, por exemplo, encontramos uma pessoa que começa ler a Bíblia e em todas as suas passagens tira alguma aplicação social, esse é um indício, um sinal bastante claro de que, talvez, ela esteja seguindo esse tipo de pensamento marxista. Sabemos que a Sagrada Escritura tem uma lição social, mas nós não podemos extrair dela apenas uma mensagem social.

cancaonova.com: Quais os principais meios utilizados pelos militantes do marxismo cultural para difundir suas idéias?

Padre Paulo Ricardo: O primeiro ponto é que eles agem em dois campos muito distintos. O primeiro campo mais importante para eles são as universidades, onde, basicamente, quase todos os professores, de alguma forma, foram influenciados por esse tipo de pensamento materialista e socializante. Já o segundo são os meios de comunicação. Através das novelas e noticiários, eles vão influenciando e montando a mentalidade do povo de uma forma contraria à do Cristianismo e à visão espiritual da realidade.

cancaonova.com: Como padre, na sua história de vida, o senhor percebe que foi alguma vez instrumentalizado pelos pensadores do marxismo cultural?

Padre Paulo Ricardo: Sem dúvida nenhuma. Quando eu era um jovem estudante de Filosofia, eu seguia aquilo que os professores ensinavam em sala de aula, dentro da universidade. E, sem perceber, ia escorregando para esse tipo de leitura sociológica, uma leitura socializante da Bíblia. Mas graças a Deus e pela providência divina, eu fui encontrando livros que, aos poucos, foram me abrindo os olhos e é por isso que, hoje, quero prestar esse serviço para as pessoas, ajudando-as também a encontrar o caminho de saída desse tipo de pensamento que esvazia o Evangelho.

cancaonova.com: Em qual aspecto os católicos devem ficar mais atentos para não serem 'inocentes úteis' nas mãos dos intelectuais do comunismo?

Padre Paulo Ricardo: A primeira coisa que nós temos de notar é que somos a maioria, só que, infelizmente, somos uma maioria inconsciente, ou seja, nós não temos consciência daquilo que deveríamos fazer. Enquanto eles são uma minoria muita bem treinada. Por exemplo: no jornal Folha de São Paulo foi veiculada uma pesquisa afirmando que 47% dos eleitores brasileiros, portanto, a esmagadora maioria de acordo com a pesquisa, são bastante conservadores em termos de moralidade, portanto, os brasileiros são contra o aborto, o casamento homossexual e todo esse tipo de coisa. Mas os adeptos da cultura marxista procuram passar toda uma programação a favor do aborto e do casamento gay, porque pretendem desmontar a moral cristã para implantar uma mentalidade materialista. Pois bem, se nós somos a maioria, por que é que eles conseguem nos dominar? Porque eles dominaram os meios de comunicação. Existe, na verdade, uma minoria falante que está dominando uma maioria muda. A primeira coisa que nós devemos fazer é parar de ser mudos e começar a falar, a protestar e a dizer: "Não, eu não estou de acordo com isso! Não é assim!" E se formos chamados de conservadores, não importa. A primeira coisa que um católico precisa realmente ter consciência – diante do fenômeno do marxismo cultural – é de que nós iremos ser policiados por eles, naquilo que eles chamam de "patrulhamento ideológico", mas não temos de nos importar com isso, porque assim como os primeiros cristãos sofreram perseguições, nós também as sofreremos, mas estas serão de forma ideológica. Devemos lutar para levar a verdade do Evangelho para frente! Não podemos ceder e "barateá-lo" a uma nova agenda cultural que está nos sendo imposta.

cancaonova.com: O que o Papa Bento XVI significa em todo esse contexto?

Padre Paulo Ricardo: O Papa Bento XVI, quando era professor na Alemanha, sofreu bastante com esse tipo de movimentação do marxismo cultural, porque este movimento não está presente apenas na Igreja do Brasil, mas também na Alemanha. E muitos teólogos tentavam adaptar o Evangelho ao marxismo, de modo que foram eles que mais criaram problemas para ele. Quando ele foi eleito cardeal em Roma, logo começou a combater a teologia da libertação marxista, tentando mostrar justamente que se tratava de um desequilíbrio e de uma traição ao Evangelho. Agora que é papa, nós vemos claramente que Deus se manifestou ao escolher este homem para ajudar a Igreja do Brasil e do mundo inteiro a sair desta situação de querer ler o Evangelho através de uma visão sociológica e de uma agenda política que não tem nada a ver com o Cristianismo. Então, podemos dizer que a eleição de Bento XVI é a virada. Ele é, de alguma forma, o homem da providência e nós agradecemos a Deus por ter nos dado esse homem providencial.

cancaonova.com: Teremos uma sociedade ideal, harmônica, igualitária, neste mundo um dia, ou nossa meta de vida perfeita é para a 'pátria celeste'?

Padre Paulo Ricardo: Sem dúvida nenhuma, nós temos de ser realistas. Somos imperfeitos, por isso não somos capazes de gerar, nesse mundo, uma sociedade perfeita. Todos aqueles que quiseram implantar um paraíso, aqui, na terra, a única coisa que conseguiram produzir foi o inferno. Todas as ideologias do século XX, que propunham fazer um paraíso na terra, foram as que causaram mais mortes. Nós não podemos agir assim, temos de tentar melhorar a sociedade sim, lutar para a justiça, mas o próprio Papa Bento XVI nos recorda na encíclica "Deus Caritas Est": "Não é possível implantar o paraíso aqui na terra, o que nós devemos esperar é que tenhamos forças morais aqui na terra, suficientes para lutar contra o mal", mas essa luta irá durar enquanto o mundo for mundo. Somente no final dos tempos é que nós veremos o reino dos céus vir como um dom de Deus e não como a realização de uma obra humana. Entraremos na Jerusalém celeste, sim, mas como diz o livro do Apocalipse: "Ela é a esposa que desce do alto e não aquela que sobe da terra, porque quem sobe da terra, é a prostituta".