01/06/2013

Oração para São Paulo


Amado, Precioso, Santo e Justo Senhor Deus, Absoluto sobre todas as coisas.
Venha o Teu Reino e seja feita a Tua vontade.
Prostramo-nos diante da beleza da Tua Santidade e o honramos, glorificamos e adoramos.
Apresentamos nossa indomável inclinação ao erro, omissão da sua vontade, dos pecados que entristecem os seus olhos. Pedimos misericórdia, perdão.
Rogamos, apelamos, insistimos, suplicamos pela vinda do Teu Santo Espírito. Precisamos ardentemente ser guiados pelo Espírito da Verdade. Que Ele seja a presença constante e completa, ajudando-nos a superar a cegueira e a covardia.



Apresentamos diante do Teu trono a nossa amada cidade de São Paulo. Sobretudo nesses dias, intercedemos por ela.
Levante, Espírito Santo de Deus, homens e mulheres valentes, guerreiros, incansáveis na oração de clamor pela paz na cidade, para que Jesus Cristo seja conhecido, aceito e seguido.
Apresentamos diante do Senhor, Deus nosso e Todo Poderoso, as criaturas que não o conhecem, não o aceitam e escarnecem do Teu nome.  Perdoa-os, Senhor!
Traga sobre as igrejas cristãs de São Paulo um mover poderoso e abundante do Espírito Santo.  Desça sobre a cidade o espírito de ousadia, o que anuncia a verdade, o que expõe o pecado, o que convida ao arrependimento, o que traduz a eficácia da cruz de Jesus Cristo.
Incomode seus verdadeiros filhos à santa tarefa da oração, principalmente hoje e amanhã.
Oremos com toda humildade e com corações cheios de compaixão.
Sempre em nome de Cristo.
Amém.

10/04/2013

Além do Horizonte






Sou fã do Salmo 116, 12: “Que darei ao Senhor por todos os benefícios para comigo ?” O salmista, neste versículo, condensa as riquezas oriundas de Deus. Poucas palavras, e um oceano de atributos divinos distributivos. A pergunta do poeta embute experiências de percalços passados. Seus olhos fitam o horizonte, encontram a evidência do Provedor Incondicional, o mesmo que respondera nas horas mais agudas de aflição (“Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra.” Sl 121,1-2)

Somente uma pessoa penetrada pela mais absoluta sinceridade, reconhecedora das misericórdias divinas, ora imanentes, ora transcendentes, extrai de suas entranhas o verbo que traduz e revela a graça e visitação do Senhor: Que darei ? Que darei ? Onde encontrarei objeto, palavra, sentimento, gratidão, gesto que seja oferenda minimamente compatível  com as bênçãos ?  O quê ? O quê ?

A questão é:  Se parássemos um pouco, se diminuíssemos o pique, o ritmo, se déssemos chance ao cruzamento da inteligência com a emoção, se ao menos olhássemos e recordássemos com cuidado, seríamos revestidos de constrangimento e uma porta se nos abriria para enxergar a realidade. Descortinaria diante de nossos olhos o quadro completo: Ele é Deus!, está presente, atuando, cuidando, protegendo, avisando, aconselhando, exortando, advertindo, abençoando e ... amando, amando, amando muito.

Gratos são os que vazam da razão para o coração, entendem e derivam para todo o ser o preenchimento de Deus (“Amar a Deus de todo entendimento, alma e coração”. Mt 22, 37).   Somente ali, no centro figurado e representativo de todo o nosso ser, repousa a usina que nos recarrega cotidianamente de oferenda, de ações de graça. Somente o coração grato, testemunha da presença do Senhor, somente aquele que tem algo denso para contar pode doar, entregar, depositar, desapegar, ofertar, depositar tudo no altar; conforme rezam os hinos “Eu venho como estou” e “Tudo deixarei, tudo entregarei”. 

Quando o salmista diz: “Que darei ... ?”, significa que já decidiu, entendeu tudo - que tudo não lhe pertence.  Quem é o dono de tudo ? O Senhor Deus.  Se o Senhor é o dono, não há apego mesquinho. O salmista estava livre, leve e solto para desejar doar, oferecer, ofertar, para declarar que era um agraciado, abençoado, que jamais esteve só.

Esse é o status da pessoa mais livre da face da terra.  A que conta, confia, depende e anda com Deus.

Os olhos do salmista alcançam além do horizonte, suas mãos não precisam agarrar o que quer que seja. Insegurança é palavra banida do dicionário existencial pessoal, porque o Senhor habita, reina, governa e sustenta.  

E você, o que dará ?

19/03/2013

Caro Francisco


Não poderia deixar de escrever-lhe. Estamos em festa, embora por motivos diferentes, mas o nosso fundamento é o mesmo e também a finalidade é a mesma. Aqui, por essas bandas, estamos comemorando 51 anos de vida, plantados num jardim com algumas oliveiras. Você, comemorando ou ainda tremendo diante de tanta responsabilidade, já que recebeu a Cadeira caminhando pelas laterais; entrou simples, sem a euforia característica dos homens que habitam as margens do Rio da Prata.

Caro Francisco, confesso que me surpreendi com sua biografia e, principalmente, com suas primeiras palavras, colocando ou trazendo Jesus Cristo para o seu devido lugar.

 Há vales profundos que nos separam desde o século XVI; mas, pela misericórdia e soberania de Deus, podemos construir pontes sobre esses vales, afinal, nosso Cristo é muito, muito maior do que nossas vaidades e miopia crônica. Ah, Francisco, e se enxergássemos como Jesus enxerga ?  Não é comum ao que senta na Cadeira mais prestigiada de sua denominação declarar e enaltecer a cruz de Cristo.  Quando eu o ouvi, sussurrei: Yes!, depois, recompus-me, declarando: Glória a Deus!

Sim, Francisco, devemos ser unidos pela rastro da cruz do Salvador do mundo, Jesus.  Nossa luta não é um contra o outro, não obstante nossas diferenças abissais. Não, nossa luta é contra esse mundo materialista, sincrético, relativista, imoral, frutífero em inversão dos valores judaico/cristãos, criando novos dicionários para novas semânticas, capazes de confundir mentes e corações dos incautos.  Nossa luta, da IPJO e de Roma, é contra os principados e potestades, e contra os “bobos da corte”, os que nem sabem sobre a peleja no andar de cima, ou nem querem acreditar. 

Por isso, caro, assino embaixo quando declarou, fitando os olhos de seus cardeais: “Quando caminhamos sem a cruz, construímos sem a cruz e confessamos um Cristo sem a cruz, não somos discípulos do Senhor. Somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor.” 

Nossa, Francisco, de tanta alegria, quase me dirigi a você com intimidade que não me foi outorgada, chamando-o de Chico, tal a semelhança com o que pregamos aqui, por exemplo, quando, em sua homilia do dia seguinte, após a fumaça branca, citando grande Leon Bloy, “Quem não reza ao Senhor reza ao diabo.”  Oh, Glória! Exatamente isso constitui uma das fraquezas do cardápio mental do homem cristão contemporâneo. Estamos juntos nessa falha: hierarquia católica e protestante.

Sabe, Francisco, meu sonho é ver minha IPJO respirando, exalando um coração misericordioso e evangelizador, em fina sintonia com o Espírito Santo, com fidelidade canina ao Senhor Jesus, vendo, vendo, vendo vidas caindo aos pés da cruz de Cristo: arrependidas, transformadas, regeneradas, justificadas, santificadas.  Este é o tipo de homem que desejo ver aos borbotões.  Você também ?

Hoje, Francisco, os guerreiros do diabo estão em polvorosa, ciscando aqui e acolá, na rua e na Igreja, inventando, procurando agulha no palheiro, ávidos para atacá-lo.  Essa internet pode ser bênção ou maldição, enaltecem ou demonizam na velocidade da luz.

Conheço isso Chi ... ops, Francisco, trata-se de cenas antigas, que se repetem em verso, prosa: nós, pastores, líderes, igreja, estamos sempre no deserto, orando/jejuando e enfrentando as feras.  Mas, a graça do Deus que governa a história, sempre sussurra em nossos ouvidos:  “Nem só de pão o homem viverá, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Sim, nos desertos e vielas da vida, os verdadeiros filhos sempre escutam: “A minha graça te basta”, “não temas, eu serei contigo.” 

Estamos completando 51 anos, Francisco, e, secundando você, também não queremos ser uma ONG, mas, sim, a humilde, fiel e operante igreja do nosso Senhor Jesus Cristo.  Quem sabe, né, ainda voltaremos a ser arautos do Senhor, forjando uma cultura que honre e serva ao Deus Eterno, como em séculos passados ?

Parabéns para nós! E que sigamos nas pegadas de Jesus, a verdadeira e mais impactante esperança para o mundo.

29/10/2012

Oportunidade




“E sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como  em toda Judeia e Samaria e até os confins da terra.”  (At 1, 8)



Oportunidade é uma palavra preciosa. Podemos dizer que é uma chance. Algo que está diante  de nós, direta ou indiretamente, para que possamos efetuar um ganho ou bem.

Oportunidade pode aparecer subitamente ou ser cavada. Diz a sabedoria popular que devemos agarrar a oportunidade.

O local de trabalho é uma oportunidade para muitas coisas. Uma delas é você, como cristão, inverter a lógica perversa do egoísmo. Durante, no mínimo, 8 horas por dia, devemos agarrar ou cavar as oportunidades de servir a quem precisa. E tudo começa com o qualitativo e quantitativo de excelência que você produzir em sua habilidade profissional. 

Há uma lei infalível: Quanto mais cresce em sua competência profissional, mais as oportunidades aparecem. Sejam elas como desafio de carreira ou como referência para ajudar outras pessoas.

Por esse caminho cavamos a grande oportunidade de testemunhar os valores do Reino de Deus como porta de entrada para múltiplas possibilidades de servir.

Primeiro, o cristão move mundos e fundos desenvolver o padrão de excelência profissional. Ato contínuo e paralelo, fica de prontidão para servir.

A empresa ganha, os colegas ganham, o Reino de Deus ganha capilaridade e o nome do Deus Altíssimo é honrado.  Por fim, quem também ganha é você, por ser útil, servidor e estar no centro da obra do Senhor.

27/07/2012

Para a Glória de Deus e o bem da Cidade



Desde o início dos tempos, um fato é evidente e revelado: o homem não foi criado para viver só. O primeiro livro da Bíblia revela-nos sobre esta realidade: “Não é bom que o homem viva só “(Gn 2,18). 

A primeira providência de Deus foi criar um ser semelhante e complementar. Andar a dois, no mínimo, faria parte da inalienável condição de ser social. Além de semelhante e complementar, Deus os criou interdependentes para a continuação da obra humana. A reprodução sexuada humana faz parte daquilo que podemos chamar de um-precisa-do-outro.

A primeira família foi constituída, outras famílias vieram da primeira. Assim, o ajuntamento de pessoas torna tudo melhor: casal, filhos, família, famílias, grupos, aldeias e cidades.

Na Bíblia, as cidades são citadas porque assim, em qualquer parte, o homem encontrou sua melhor forma de viver e explorar suas potencialidades. Por exemplo, para onde convergiu o símbolo do culto e do poder administrativo de Israel, quando suas instituições ganharam desenvolvimento ? Jerusalém! E, mais tarde, qual local abrigou o maior evento de amor de Deus pela criação ? Não foi em Jericó ou Belém, mas na densamente povoada cidade de Jerusalém.

Hoje, vivemos na maior cidade do país. Como o apóstolo Paulo, devemos cumprir os propósitos do Senhor na cidade onde estamos. O nosso palco é a cidade de São Paulo. Os desafios estão diante de nós. A nossa cidade, como Jerusalém para os primeiros cristãos, estampa incontáveis oportunidades e necessidades, constituindo-se (assim como qualquer outra grande cidade) como terreno fértil para se beneficiar com a renovação que o evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo oferece.  Se você examinar bem, verá que o evangelho transforma todas as coisas.

Sem prejuízo de outras frentes/tarefas, lançando mão de acurada observação para escolher o que melhor oferecer/trabalhar, cinco áreas de atuação são importantes em qualquer grande cidade:

1.     Evangelismo como a mais elevada esperança para as pessoas.  Precisa ser sólido em seu conteúdo e criativo na sua apresentação. O evangelho, como ideia de ecossistema, dialoga e preenche tudo conforme a vontade de Deus;
2.     Misericórdia e Justiça.  O evangelho pode ser tomado como palavras ao vento caso esteja descolado de ajuda efetiva ao próximo, em todas as esferas de necessidade.  Ajudar de fato, materialmente, é marca indelével do cristão; em outras palavras, impossível ser cristão sem ajudar ao próximo (Mt 25). Atos concretos em favor dos mais pobres, por exemplo, é potencializado e com resultados animadores quando operacionalizados por um pool de igrejas, não importando o corte denominacional;
3.     Renovação cultural. Há uma parcela do extrato social que é desprezada quando envidamos esforços evangelísticos: os formadores de cultura e opinião. Esta negligência tola custa muito caro, pois eles ditam, por vários meios, os bens culturais consumidos pela população. Logo, se muitos deles, opinando e produzindo bens culturais, fizessem com bases cristãs, teríamos chance de menos horrores e menos degradação moral;
4.     Fé e Trabalho.  Passamos mais de 1/3 de nosso tempo no local de trabalho, envolvidos com as necessidades do mundo corporativo. Não há razão para não estabelecer uma plataforma cristã (fé, espiritualidade, valores etc) que nos auxilie a extrair o máximo do trabalho, agregando os mais altos valores possíveis, como forma de crescimento, riqueza e testemunho. A fé cristã precisa ir para o ambiente de trabalho, não como púlpito de pregação explícita, muitas vezes inoportuna, mas enriquecendo a experiência corporativa com a solidez da vida no evangelho e no foco da glorificação de Deus;
5.     Plantação de novas igrejas.  Por fim, sem esgotar as possibilidades, quanto mais plantarmos novas igrejas com o DNA que serve, interage e transforma a cidade por meio de ações pessoais e institucionais, teremos a certeza de que estaremos cumprindo com desempenho máximo a Grande Comissão de Jesus Cristo (Mateus 28).

Nosso propósito: a Glória de Deus, em tudo, em todo tempo.  Nosso foco: o bem da cidade, renovando-a com base no evangelho da graça do nosso Senhor Jesus Cristo.


(*)  Parte do título e a foto devem ser creditadas ao bom amigo de Atlanta, da Perimeter Presbyterian Church, Travis Vaughn